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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Autoritarismo nos Conselhos Superiores da UFSM!

Nesta última sexta-feira, a Universidade Federal de Santa Maria viu a sua democracia subjugada durante reunião plenária de seu Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão, CEPE, explicitando o autoritarismo da gestão Felipe e Dalvan. No dia 18 de junho, do ano em que completa sua quinta década, a UFSM teve sua história manchada pela condução dada por seus quadros dirigentes.

Como amplamente divulgado pela imprensa local, a Reitoria e o Diretório Central de Estudantes elaboraram propostas diferentes de alteração da metodologia de seleção aos cursos da UFSM. O que é mais diverso ainda são os rumos que estas propostas tomaram ao longo do sinuoso percurso que existe entre o Protocolo Geral e o Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão, foro onde devem ser discutidas quaisquer propostas. Enquanto a proposta dos Estudantes mergulhou em uma zona cinza e nebulosa, entre o Gabinete do Reitor e a PROGRAD, a proposta da reitoria entrou no Protocolo Geral desenhando uma trajetória retilínea em direção as comissões que compõem o CEPE.

Nestas comissões, após uma primeira análise, a proposta institucional foi duramente criticada por conta de sua prolixa e confusa redação, além da ausência de justificativas para sua adoção e o aval do procurador jurídico quanto à legalidade da mesma. Encaminhada para adequação na PROGRAD, a proposta da administração central retornou rapidamente para análise das comissões que registraram em Ata de Reunião a deliberação de não emitir parecer sobre a proposta da Reitoria sem analisar conjuntamente a proposta do DCE.

Após esta corajosa deliberação das comissões, a proposta encaminhada pelos Estudantes é impedida de seguir seu destino em direção ao CEPE e é devolvida aos Estudantes com um parecer sobre a mesma emitido arbitrariamente pelo Reitor da UFSM.

O pior estaria ainda por vir.

Temendo a possibilidade de que a proposta dos Estudantes seja aprovada pelo Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão, o Reitor, resolve aprovar sua proposta a qualquer custo. Através de uma manobra regimental, o Reitor induz as comissões a acreditar que existe apenas uma proposta em tramitação. Desta forma, as comissões são forçadas a elaborarem em quinze minutos um novo parecer favorável sobre a proposta da Reitoria. Feito isso, o processo da administração central poderia finalmente chegar até o destino tão almejado por seus autores: uma atropelada aprovação durante votação na plenária do CEPE.

Os representantes estudantis, fazendo uso de suas atribuições, pedem vistas ao processo da reitoria, imaginando com isso conseguir mais quinze dias para a discussão de uma ação que altera a vida de 80000 pessoas, segundo estimativa da própria COPERVES.

Então, o magnífico Reitor, com a intenção de prejudicar o trabalho dos Estudantes no parecer de vistas, faz uso do poder político de seu cargo e consegue extrair da plenária o agendamento da próxima reunião para a próxima terça-feira. Com isso, os Estudantes precisam elaborar seu parecer de vistas com prazo curtíssimo de 48h úteis.

O Diretório Central de Estudantes repudia a forma acintosa e autoritária com que a Reitoria vem conduzindo a tentativa de aprovar sua proposta de vestibular. Repudia a forma desrespeitosa e sem precedentes com que a administração do Senhor Felipe fere a autonomia e independência dos Conselhos Superiores da instituição, e cerceia a democracia que tais instâncias deveriam balizar.

Reafirmamos que nossas ações são pautadas nos bons interesses da instituição e da educação brasileira. Seguiremos em luta constante e diligente pelo projeto de uma universidade pública, democrática e popular.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Avaliação seriada: Peies 2?

Artigo publicado no Diário de Santa Maria em 11 de Abril de 2010

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) está repensando o processo de ingresso. Historicamente, o Programa de Ingresso ao Ensino Superior (Peies) tem sido apresentado como alternativa que promove a democratização do acesso. Contudo, este não aumentou o número de vagas. Também desconheço indicadores sobre um acréscimo no ingresso, particularmente em cursos de maior prestígio social e econômico, de estudantes oriundos de famílias de menor poder aquisitivo. Minha reflexão focaliza impactos desse programa no Ensino Médio, transformado em um curso de preparação para provas, muito próximo dos cursos pré-vestibulares.

Etimologicamente, currículo significa caminho. A avaliação seriada tem, no caso do Peies, induzido a um currículo seriado, fragmentado, transformado em “camisa-de-força”. Currículo único, caminho único. Só há um ponto de chegada: a universidade. Contudo, inalcançável para a maioria. Como resultado, a internalização de um sentimento de fracasso. A desconsideração de outros caminhos, de outros sentidos, é altamente desmotivador.

Na dinâmica do Peies, a separação entre conceber e executar ficou cristalizada. Alguns poucos pensam, concebem o currículo, as intencionalidades (competição), enquanto que outros (professores) devem executá-lo. Nesta lógica, o professor pode ser comparado ao Chaplin do filme Tempos Modernos. Repete, ano após ano, o mesmo programa, significando a morte da criatividade.

O discurso da democratização, sustentáculo retórico do programa, talvez esteja ocultando um processo de elitização. Uma maior igualdade, enquanto ponto de chegada, somente é possível com um trabalho diferenciado para os desiguais. Na lógica do Peies, para os desiguais, um currículo igual. Um currículo padrão, alheio às realidades dos sujeitos, privilegia os privilegiados economicamente, cujo contexto familiar está mais próximo da cultura exigida nessas avaliações seriadas.

Proponho que, com uma efetiva participação da comunidade, o processo de ingresso na UFSM seja repensado. A universidade poderá passar a ser indutora de currículos vivos, potencializadores de criatividade e autonomia. A reafirmação das avaliações seriadas continuará induzindo submissão, sinalizando um caminho bastante inóspito para a maioria dos estudantes.


DÉCIO AULER|Professor do Departamento de Metodologia do Ensino da UFSM


Fonte: http://www.clicrbs.com.br/dsm/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=41&action=noticiasImpressa&id=2867744&edition=14472