quinta-feira, 27 de junho de 2013

MANIFESTO DA OCUPAÇÃO DA CÂMARA DE VEREADORES DE SANTA MARIA!

Nós, cidadãos santa-marienses, estamos há 31 horas ocupando pacificamente a Câmara de vereadores de Santa Maria. Viemos para a Casa do Povo para exigir dois direitos sociais básicos: transporte público e justiça.
Em relação ao transporte público, nossas exigências imediatas são três: o retorno do passe livre, abertura de processo de licitação e, principalmente, a redução imediata do valor da tarifa de R$ 2,45 para R$ 2,00, fazendo valer à população direitos que lhe foram retirados para beneficiar empresários que monopolizam o setor do transporte em nossa Cidade. Após a entrega de uma carta pública com nossas pautas ao poder legislativo, encaminhamos junto à Câmara uma Audiência Pública, relativa à discussão do valor da tarifa, para o dia 05/07 (sexta-feira). Ressaltamos que, para nós, apenas uma audiência não é suficiente e, portanto, também continuaremos nos mobilizando e lutando nas ruas de Santa Maria nos próximos dias.
Leitura do manifesto. Foto: Nathália Schneider
No tocante à nossa exigência por justiça, compreendemos que a CPI da Tragédia da Boate Kiss é ilegítima, por ter sido proposta e composta exclusivamente por membros da base do governo Schirmer com o intuito de blindá-lo das possíveis responsabilidades em relação à tragédia do dia 27 de janeiro de 2013. Entendemos que esta CPI foi instaurada para esconder os fatos e não para investiga-los, é o que se constata através das gravações recentemente divulgadas, nas quais vereadores governistas falam explicitamente que “esta CPI não pode chegar a lugar algum”, tudo para preservar politicamente o prefeito. Portanto, cobramos a renúncia imediata dos vereadores Maria de Lourdes Castro, Doutor Tavores e Sandra Rebelato dos cargos que ocupam na CPI da Tragédia da Boate Kiss, com a consequente extinção da mesma.
Além disso, exigimos a exoneração do procurador jurídico da Câmara de Vereadores, Robson Zinn (presidente municipal do PMDB), cargo de confiança nomeado pelo presidente da Câmara, por ter sido o articulador dessa CPI chapa branca, que inviabilizou a Comissão Parlamentar articulada pela oposição. Entendemos que a postura de Robson Zinn é inaceitável, constituindo-se um desrespeito à dor dos familiares das vítimas e também às próprias vítimas da tragédia.
Ao longo deste período de mobilização e pressão ao poder público, estamos enfrentando algumas dificuldades no que tange à comunicação com os representantes do poder legislativo municipal. Desde o principio, efetuamos diversas tentativas de diálogo exigindo respostas claras, sem obtenção de êxito. Primeiramente, exigimos a posição do legislativo frente ao pedido de renúncia dos vereadores membros da CPI, porém, não obtivemos nenhum tipo de resposta. Em um segundo momento, houve o anuncio de uma coletiva de imprensa na qual os vereadores membros da CPI iriam expor seu posicionamento oficial em relação ao pedido de renúncia de suas funções na comissão, no entanto, a mesma não ocorreu.
Reiteramos nossas exigências, entendendo que os membros da CPI e o procurador jurídico da Câmara não têm mais nenhuma condição política e moral de continuar ocupando as respectivas funções.
Chega de descaso e de desrespeito ao povo! A ocupação continua! 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Pela redução imediata do preço da passagem em Santa Maria!

         O transporte público deve ser reconhecido como direito básico da população para ter acesso à educação, saúde, trabalho, cultura e lazer. Dessa forma, as tarifas elevadas acabam por limitar o acesso da população à cidade e aos seus direitos.
 
Em Santa Maria, nos últimos anos, houve vários aumentos abusivos no valor da passagem, porém, continuamos com serviços precários: ônibus superlotados, falta de horários, paradas precárias, horários reduzidos e poucos pontos de atendimento, etc. 
 
Há tempos denunciamos que o transporte público em Santa Maria serve ao enriquecimento dos empresários do setor e não a garantia dos direitos dos santa-marienses. O poder público é omisso, não cumprindo a fiscalização dos serviços, embora existam denúncias de irregularidades. Nesse sentido, as empresas continuam prestando o serviço sem licitação, em evidente afronta à Constituição. 
 
Em relação ao cálculo da tarifa, existem questionamentos desde, pelo menos, o ano de 2006 quando o professor de economia da UFSM Ricardo Rondinel apontou várias irregularidades, como dados maquiados pelas empresas, índices desatualizados, lucros omitidos do cálculo (publicidade nos veículos), etc. 
 
A planilha utilizada em Santa Maria é com base na viciada metodologia do GEIPOT. Na cidade de Teresina, o Ministério Público do Estado do Piauí apontou no ano de 2011 os vícios que essa planilha contém, indicando que a mesma não deve ser utilizada (http://www.mp.pi.gov.br/). Devido esse apontamento, as tarifas foram reduzidas na cidade de Teresina. Não vamos pagar uma tarifa superfaturada!!!

Além disso, ocorreu em muitas cidades do país a redução da passagem devido a desoneração de impostos, por meio da lei federal 12715/2012 e da Medida Provisória 617 que zera o PIS/COFINS do transporte. Segundo o governo federal, a média de redução é de 0,20 centavos (http://oglobo.globo.com/pais/governo-diz-que-desoneracoes-permitem-que-estados-municipios-reduzam-tarifas-de-onibus). Cadê a redução em Santa Maria?? A passagem em Santa Maria já é mais cara que em 13 capitais no Brasil!

Diante desses fatos, cobramos do prefeito César Schirmer a redução imediata da passagem de ônibus em Santa Maria para R$ 2,00!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Manifesto do DCE UFSM às mobilizações do transporte no Brasil

Pelo Livre Acesso às Cidades! Por um país livre, justo e soberano! Contra a criminalização dos movimentos sociais!

O acesso à cidade deve ser compreendido como um direito fundamental da população. Nesse sentido a mobilidade urbana é essencial, pois, somente com o direito de ir e vir garantido, teremos condições de acessar os outros direitos sociais básicos como saúde, educação, trabalho, cultura e lazer.

O caos que vivemos nas cidades brasileiras é decorrente do modelo de desenvolvimento urbanoadotado em nosso país. O crescimento urbano desordenado causado pela expulsão da população do meio rural, aliado a um projeto excludente de ocupação urbana empurrou os trabalhadores e trabalhadoraspara as periferias, dificultando o acesso aos serviços e até mesmo ao trabalho.  A opção pelo modelo de transporte individual e a desvalorização do transporte coletivo também contribuiu para chegarmos a este ponto, o “trancamento” do trânsito devido a falta de infraestrutura, o valor abusivo das tarifas de transporte e a qualidade insatisfatória são exemplos de descaso com a mobilidade urbana.

Por detrásdos problemas do acesso a cidade é visível a influência do empresariado do transporte e do setor imobiliário. A vinculação destes setores com o financiamento dos processos eleitorais acaba por privilegiar os interesses econômicos de uma minoria em detrimento dos interesses da maioria da população.Podemos visualizar em Santa Mariacomo estas questões se manifestam. Todos os anos,sofremos com aumentos absurdos da passagem de ônibus e, mesmo pagando mais, continuamos com um transporte de baixa qualidade. A ATU só quer nosso dinheiro e a prefeitura segue fazendo vista grossa.

Compreendemos que para ter livre acesso a cidade é necessário repensar o modelo de transporte público. Não é possível conciliar o interesse da população com o interesse do empresariado do transporte. Somente garantiremos um transporte público e de qualidade se este for público e estatal, financiado coletivamente e gerenciado com participação popular!

                Acreditamos que as manifestações que colocaram milhares de pessoas nas ruas do Brasil decorrem, não apenas, da insatisfação quanto ao aumento abusivo das passagens, mas demostram a necessidade de haver mudanças mais profundas em nosso país, para combatermos as injustiças sociais. Mesmo que muitos brasileiros tenham melhorado suas condições de vida nos últimos tempos, continuamos sendo um dos países mais desiguais do mundo e não modificamos as estruturas arcaicas da nossa sociedade.

Precisamos tomar as ruas, sim! Esta é a hora dos estudantes,jovens, trabalhadores, movimentos sociais e organizações pressionar pelas mudanças necessárias. Queremos reorganizar a estrutura de nossas cidades que permitam o livre acesso a cidadepor meio de uma reforma urbana! Para ampliar e ter qualidade nos serviços públicos é necessário ampliar os investimentos, isso somente será possível com uma reforma tributária que taxe as grandes fortunas, pois infelizmente hoje em nosso país quem tem mais paga menos impostos!Para acabar com a promiscuidade entre os governos e o empresariado precisamos ter financiamento público e limitado das campanhas eleitorais, reforma política já!O Brasil é um país por séculos explorado pelos imperialistas, muitos dos nossos problemas são fruto desta exploração, por isso precisamos mandar embora do nosso país as empresas que só fazem esforço para privatizar a educação, a terra e vida da população. Fora Transnacionais !!!!

                Repudiamos a criminalização dos movimentos sociais e o comportamento repressivo do Estado. Não admitimos os atos de violência da polícia militar que se utilizou do poder para reprimir a luta social. O povo precisa discutir urgentemente o modelo de segurança pública que queremos para o Brasil. Não queremos polícia para nos reprimir!

 Não podemos deixar de questionar o papel da mídia brasileira. Estasempre criminalizou os movimentos sociais e toda forma de participação popular. Toda vez que esta não consegue derrotar uma mobilização, tenta manipular seus rumos. A cobertura das manifestações pela luta dos transportes reforça ainda mais a necessidade de democratizar os meios de comunicação. Liberdade de expressão para todos, chega de uma meia dúzia de famílias que controlam os veículos de comunicação! Pela implementação imediata do Plano Brasileiro de Banda Larga Pública a Gratuita!

Por fim gostaríamos de ressaltar uma preocupação profunda com os rumos de nossas manifestações. As décadas de neoliberalismo e as amplas campanhas midiáticas construíram na juventude brasileira diversos valores individualistas. Nestas manifestações temos percebido muitas demarcações no sentido de combater todas as formas de organização coletiva. Só o caminho coletivo pode construir um presente e um futuro melhor para os oprimidos e explorados. Só a organização pode nos permitir avançar! Temos a obrigação histórica de compreender que as lutas no Brasil não começaram e não terminam agora, muitos e muitas já tombaram lutando contra a ditadura militar, pelo petróleo que é nosso, pelas diretas, pela reforma agrária, pela saúde e educação pública... Muitos e muitas tem construído a história de nosso povo. É chegada a hora e vez de fazermos jus a nossa história, e tomarmos as ruas para construirmos o Brasil que queremos!

                O DCE da UFSM se manifesta em apoio às manifestações que tomaram as ruas de nosso país. Estamos ao lado de todos aqueles que lutam pelo Livre Acesso às Cidades! Por um país livre, justo e soberano!


As ruas são do povo brasileiro! 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Convocatória - Reunião de entidades de base

União Nacional dos Estudantes
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
dIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES
gESTÃO VOZES EM MOVIMENTO– 2012/2013

convocatória - DCE                                                                              Santa Maria, 18 de junho de 2013.


Reunião de entidades de base
Com satisfação, o DCE da UFSM convida as entidades do movimento estudantil, diretórios acadêmicos  e diretorias das casas do estudante, bem como demais estudantes, para uma reunião extraordinária nesta quarta-feira, dia 19 de junho, com pauta única os atos do transporte público de quinta-feira (20.06) e sábado (22.06)  na cidade.

A reunião será ao meio dia, na União Universitária, em cima do Restaurante Universitário, ao lado da Casa do Estudante Universitário do campus.


Atenciosamente,



DCE UFSM – Gestão Vozes em Movimento

sexta-feira, 14 de junho de 2013

MAIS UM AUMENTO EU NÃO AGUENTO!

O DCE UFSM – Gestão Vozes em Movimento – juntamente com os Diretórios Acadêmicos e Diretorias das Casas do Estudante, convida a todos estudantes da UFSM e população de Santa Maria a juntar-se no processo de mobilização por um transporte público de qualidade, sem aumento no valor da passagem.

No último dia 10 de junho, em reunião do Conselho Municipal de Transporte (CMT) o representante da ATU defendeu mais um aumento da tarifa baseando-se no aumento de usuários com benefícios (idosos, estudantes, crianças, integração), do salário dos trabalhadores e de um combustível mais caro que está sendo usado em 4% da frota (um mais ecológico, S10, segundo ele a previsão é aumentar o uso desse tipo de combustível).

Por fim, solicitou-se ao representante da prefeitura trazer na próxima reunião a planilha com o cálculo do preço da tarifa para ser analisada. A próxima reunião será dia 8 de julho, local e hora a definir, onde será apresentado o novo aumento da tarifa.



Em diversos lugares do país as mobilizações contra os aumentos abusivos das tarifas do transporte estão sendo realizadas e criminalizadas pela grande mídia, frente a isso precisamos dialogar com o maior número de pessoas em Santa Maria para juntar-se nesta luta, contra o aumento de tarifa, cobrando um transporte público e de qualidade.

Deste modo, O DCE UFSM – Gestão Vozes em Movimento – juntamente com os Diretórios Acadêmicos e Diretorias das Casas do Estudante, convida a todos para terça feira realizarmos uma ação no centro da cidade de caráter informativo e no próximo sábado, dia 22 de junho, uma Marcha pelo transporte público e contra o aumento da tarifa.


Queremos mais horários de ônibus, queremos mais ônibus, chega de superlotação no início da manhã e final da tarde. Queremos paradas de ônibus descentes, mais guichês de compra de passagem e que fiquem abertos em um período mais longo. Não queremos mais pagar um absurdo o preço da passagem todos os dias, somos estudantes, trabalhadores, moradores a pouco ou a muito tempo na cidade, queremos nosso direito de ir e vir. 





segunda-feira, 10 de junho de 2013

Convocatória: Conselho de Entidades de Base - junho de 2013

 

União Nacional dos Estudantes
União Estadual dos Estudantes Livre – Dr. Juca
Universidade Federal de Santa Maria
Diretório Central dos Estudantes


Convocatória:
Conselho de Entidades de Base


É com grande satisfação que convocamos os Centros e Diretórios Acadêmicos e as Direções das Casas do Estudante da UFSM para o Conselho de Entidades de Base a ser realizado no dia 13 de junho (quinta-feira), às 19h00min, no Auditório do DCE (térreo da Casa do Estudante do centro).


Pautas:
- Informes;
- Repasses do CONUNE;
- Eleições do DCE;
- Eleições para reitoria da UFSM;
- Pontos de Carona.


Atenciosamente,


DCE UFSM
Gestão Vozes em Movimento

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Consulta para Reitoria 2013: Comissão divulga lista de votantes por local de votação - confira seu nome na lista!

A Comissão de Consulta para escolha de Reitor e Vice-Reitor da UFSM divulgou hoje a listagem de votantes por local de votação.

Confira se seu nome está na lista AQUI.
Confira AQUI a distribuição das urnas e mesas receptoras.

A lista ficará sob avaliação até o dia 14 de junho.
Estudantes matriculados em mais de um curso terão seu local de votação referenciado pela matrícula mais antiga.
Dúvidas e correções podem ser enviadas para consultareitor2013@ufsm.br. Mais informações também podem ser obtidas pelo ramal 9470 da Comissão de Consulta.

No dia 11 de junho haverá debate entre os reitoráveis nos campi de Palmeira das Missões (19h) e Frederico Westphalen (14h). A Multiweb UFSM fará transmissão AO VIVO online dos dois debates. Acompanhe e participe!


Consulta para Reitor 2013: Vale à pena participar!
Participe dos debates e da consulta para reitor da UFSM!
Eu voto, eu cobro, eu participo!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Consulta para Reitoria 2013: Comissão divulga locais de votação dos três segmentos

A Comissão de Consulta para Reitor 2013 divulgou hoje os 18 locais de votação para a votação do dia 03 de julho nos quatro campi da UFSM. Confira aqui e avalie.

Dúvidas podem ser enviadas para consultareitor2013@ufsm.br. Mais informações também podem ser obtidas pelo ramal 9470 da Comissão de Consulta.
As inscrições para mesários da consulta já estão abertas desde a última segunda-feira, dia 20. Participe!

Você está por dentro do processo de escolha do Reitor e Vice-reitor da UFSM?
Confira as últimas notícias!

3ª PROFITECS: Licenciaturas e Ensino Básico em destaque no "Diálogos da Educação"

Amanhã, 24 de maio, às 08h30min vai ocorrer na PROFITECS o espaço "Diálogos da Educação" promovido pela Pró-Reitoria de Extensão, 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), PROGRAD e Câmara das Licenciaturas. O espaço ocorrerá no Lonão Cultural no Centro de Eventos da UFSM e serão debatidos os desafios da educação básica e das Licenciaturas frente aos novos parâmetros da Educação.

Os espaço oportunizará a todos maior entendimento quanto a reforma curricular do ensino básico e o que ela representa na prática pedagógica do dia-a-dia. Além disso, estudantes de licenciatura poderão ter contato e trocar experiências com educadores da 8ª CRE.

As escolas também poderão ser ouvidas pela universidade a fim de buscar a qualificação dos currículos das licenciaturas para que os educadores saiam aptos a trabalhar em ambientes inter/multi/transdisciplinares de educação estabelecidos nos novos currículos do ensino básico. A compreensão da coordenadoria é de que a universidade não tem conseguido acompanhar as mudanças ocorridas nos últimos três anos.

Com este espaço, tem-se a perspectiva de aumentar a relação UFSM-CRE-escolas para que se avance na superação das demandas atuais do ensino. A UFSM também apresentará os atuais instrumentos que possui para qualificação do ensino, como PROLICEN e PIBID.

A 3ª PROFITECS ocorre de 23 a 25 de maio no Centro de Eventos da UFSM e se constitui em espaços multidisciplinares de interação da comunidade universitária com a comunidade externa. A programação completa do dia de amanhã pode ser conferida aqui.

Drogas: um debate necessário

Por Alex Monaiar e Pedro Sérgio da Silveira
O debate sobre a questão das drogas deve ser feito abertamente, sem moralismo ou hipocrisia. A maneira como a grande mídia e a maioria dos governos trata o tema é parcial, equivocada e esconde interesses políticos, econômicos e militares.
É importante lembrar que a humanidade sempre se utilizou de substâncias psicoativas para diversos fins e não o deixará de fazer, pois elas são parte da natureza e da cultura dos povos. Assim como a recente proibição das drogas e a cultura proibicionista.
Observando a história do proibicionismo, é possível visualizar uma rede de interesses, primeiramente econômicos e militares.
Cabe destacar episódios como as Guerras do Ópio (1839-1842 e 1856-1860), em que as potências coloniais Inglaterra e França, fornecedoras de ópio, impuseram pela força das armas a liberdade na venda do psicoativo no mercado Chinês.
As discussões em torno da saúde só viriam mais tarde, nos EUA, com a proibição da cannabis por seus supostos danos à saúde mental, transformando os usuários em “criminosos violentos”, majoritariamente imigrantes mexicanos. Não por acaso o mesmo discurso era reproduzido em relação ao ópio e os imigrantes chineses, ao álcool e os imigrantes irlandeses.
Disfarçadas de preocupação com saúde e segurança (dos americanos frente à ameaça dos imigrantes), foram aprovadas leis que aumentaram o controle e intervenção do Estado sobre essas minorias, associando-as fortemente, com apoio da mídia, a determinadas drogas que a partir desse momento passavam a ser ilegais, marginalizando e criminalizando assim, as drogas e seus usuários.
A figura mais conhecida desse processo foi Al Capone. Após a proibição do álcool com a aprovação da Lei Seca (1919), começou a articular-se o fenômeno do narcotráfico e umas das maiores rede criminosas que se têm notícias, junto a uma escalada assombrosa da criminalidade, violência e corrupção.
Hoje, há várias drogas potencialmente nocivas lícitas (álcool, tabaco, fármacos) e outras ilícitas, cada qual auferindo lucros enormes às suas cadeias de produção e comércio. As lícitas através de um mercado legal e regulamentado, as ilícitas através de um mercado ilegal e violento. Porém, a nocividade da droga não pode ser utilizada para explicar sua licitude na maioria dos países, apontou estudo do periódico médico britânico The Lancet, que classificou as principais drogas segundo seus danos.
Drogas lícitas como tabaco (9º) e álcool (5º) ficaram à frente de drogas ilícitas como maconha (11º) e ecstasy (18º). Isso não quer dizer que álcool e tabaco devam ser proibidos, mas melhor regulamentados, como já o são: produção do álcool deve seguir padrão de qualidade e propagandas de cigarro na televisão são proibidas. A nocividade da droga deve ser utilizada para embasar uma política de drogas em que a regulamentação da droga vise o fortalecimento de políticas promotoras de saúde, que reduzam os potenciais danos do uso abusivo ou problemático das drogas.
Neste sentido, algumas drogas leves, como a maconha, também foram proibidas, mas não por estudos sérios que demonstrassem seus malefícios, mas sim por motivos políticos, econômicos e sociais: da indústria petroquímica, farmacêutica, da celulose e do algodão, bem como da justificativa para criminalizar os pobres e ampliar a ingerência norte-americana em nível internacional. Logo, a definição sobre o que é legal ou ilegal é mais política e econômica do que orientada por critérios de saúde pública.
A chamada “guerra às drogas” impulsionada nas últimas décadas pelos governos norte-americanos tem se demonstrado um completo fracasso – do ponto de vista da redução da produção e do consumo. No entanto, tem sido um sucesso do ponto de vista da indústria bélica, do extermínio da juventude negra e do controle e monitoramento de áreas geográficas fundamentais da América Latina pelos EUA. Historicamente recente, a política proibicionista está diretamente articulada ao imperialismo norte-americano e à criminalização da pobreza.
Desde que foi implementada, sua principal função foi militarizar regiões estratégicas de biodiversidade, recursos hídricos, matérias-primas, minerais, como na Amazônia, além de arruinar a economia camponesa diante do agronegócio, criminalizar movimentos sociais, reprimir comunidades tradicionais, lotar cárceres de jovens pobres, negros e indígenas e não tocar em nada nos banqueiros, empresários e políticos associados em torno da lucrativa atividade de gerenciamento e lavagem de dinheiro do narcotráfico.
Atualmente, o foco central do combate às drogas está nos pequenos traficantes, superlotando as prisões. É preciso inverter a lógica de que o problema das drogas se resolve com aumento da repressão, que na prática vem se demonstrando cara, injusta e ineficiente. Enquanto perdurarem as políticas proibicionistas, o tráfico, a criminalização e a repressão continuarão fazendo suas vítimas, que no Brasil, na esmagadora maioria dos casos, têm cor, idade e classe social: a juventude negra da periferia.
O caminho para reduzir o uso problemático de drogas passa pelo acesso à informação honesta, o investimento em programas de redução de danos, saúde e educação, a regulamentação dos locais de uso, da quantidade consumida em locais públicos, o controle de qualidade da substância produzida, a fiscalização do cumprimento da legislação trabalhista e ambiental nas unidades produtoras, a garantia de arrecadação de impostos para investir em políticas públicas de distribuição de renda, saúde, educação e moradia, fatores esses que, quando em falta, constituem uma situação de vulnerabilidade em que o uso abusivo/problemático pode ser uma consequência.
Legalizar o plantio, a produção, o comércio e o consumo das drogas, é atingir diretamente a raiz do problema do narcotráfico, porque assegura o controle do Estado e a fiscalização da sociedade sobre essa atividade. Contribui-se assim para diminuir o poder do narcotráfico que se articula pela produção e circulação ilegal das drogas.
É hora de construir um importante debate, ligando o projeto de legalização e regulamentação das drogas, com a luta pelo nosso projeto de sociedade e o programa democrático, popular e socialista. Este é um tema em disputa, e os neoliberais têm defendido suas propostas, limitadas a descriminalização dos usuários, o que não resolve os problemas gerados pela ineficiente “utopia proibicionista”.
Este tema não pode ser tratado de forma isolada na sociedade. A defesa da legalização das drogas não deve se limitar a uma defesa da liberdade individual (ainda que legítima) das pessoas que utilizam substâncias psicoativas, mas sim partir da discussão sobre os problemas sociais gerados pelo proibicionismo, o narcotráfico e a corrupção decorrentes, pautando o fim da guerra e de propostas nocivas como a internação compulsória, para assim construirmos uma política mais humana, pacífica, voltada para o fortalecimento dos direitos humanos e a redução das desigualdades sociais.
Algumas iniciativas nessa direção estão surgindo na América Latina, como no Uruguai onde está em discussão projeto que permite o auto-cultivo da cannabis, a produção via cooperativas, a produção estatal e impõe uma série de regulamentações, como a proibição de propagandas sobre o uso recreativo da cannabis. A discussão sobre que modelo de legalização implementar deve caminhar junto à luta geral pela transformação da sociedade e o fim das opressões.
Já no Brasil, a situação foi de mal a pior. A Lei de Drogas atual (11.343/2006) até separa usuário de traficante, porém não define a quantidade de droga que os diferencia, jogando para os juízes, a partir de seus valores, da situação da apreensão e das condições da pessoa, a decisão de definir se é traficante ou usuário. Segundo Pedro Abramovay, ex-Secretário Nacional de Justiça, “no Brasil, a pessoa surpreendida com droga é considerada traficante, se for pobre, e usuária, se for rica”. Após a nova lei, o tráfico se transformou no crime que mais prende pessoas no país, lembrando o quão seletiva é a justiça e ineficazes os presídios. No inicio do governo Dilma, quando o ex-Secretário defendeu uma nova política de drogas, levantando a bandeira da descriminalização e o fim da prisão para pequenos traficantes (geralmente usuários), perdeu seu cargo de Secretario Nacional de Política sobre Drogas no Ministério da Justiça.
Contudo, há ares de mudanças no Brasil: recentemente uma equipe de juristas durante a reformulação do código penal, propôs um meio para definir a quantia que diferencia usuário de traficante, também propôs a descriminalização do cultivo de drogas com fins de consumo pessoal.
Neste sentido de avanços, saudamos a iniciativa do governo uruguaio de buscar superar a simples descriminalização dos usuários que já estava em curso no país desde 1976, para promover uma nova política, alicerçada no controle estatal sobre a produção e distribuição da cannabis aos seus usuários, bem como o auto-cultivo individual e coletivo através de cooperativas.
Lembramos também que isto só se tornou possível graças à massiva mobilização da juventude para pressionar pela mudança da legislação vigente. Diversos países estão revendo suas políticas de drogas, como Portugal, Canadá, Suíça, Argentina, México, Itália, República Tcheca, dentre outros.
Mesmo com países mais avançados na construção de uma nova política de drogas, como Uruguai e Argentina, e outros menos, como o Brasil, as políticas de drogas nos países da América Latina tem avançado. Inserindo-se junto a outras políticas de fortalecimento dos direitos humanos e combate às desigualdades sociais.

Ressaltamos ainda, que algumas plantas como o cânhamo podem se converter em uma importante alternativa de desenvolvimento sustentável, com a produção barata de celulose, tecido, remédios, alimentos, combustíveis, geração de novas tecnologias biodegradáveis, entre centenas de outras aplicabilidades desta planta, rompendo assim com as transnacionais que dominam o mercado destes produtos e impedem que a pesquisa seja feita de forma livre. Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhecer desde 1991 a cannabis natural como medicamento, é praticamente impossível fazer pesquisas com a erva para fins terapêuticos.
Infelizmente a inserção da temática drogas nas Universidades parece ainda tímida. No geral, percebe-se que grande parte dos cursos ainda não elenca disciplinas no quadro básico/obrigatório que trate especificamente desta questão, nem mesmo os mais ligados diretamente às áreas de Saúde, Direito e Educação. As discussões e trabalhos sobre o tema geralmente partem de grupos de pesquisa e coletivos, embora válidos, são insuficientes para dar conta do grande número de profissionais que as Universidades formam todos os anos, mesmo se considerarmos somente essas áreas mais específicas Os profissionais formados, principalmente nessas áreas, de uma forma ou de outra irão se deparar com esse tema, seja em serviços de saúde, tribunais ou escolas. Faz-se necessário uma nova educação sobre drogas, (re)pensar a formação profissional na Universidade sobre o tema,  propiciando a formação de profissionais éticos, críticos e referenciados nos direitos humanos.

A construção de uma nova sociedade passa não pelo aumento da repressão às drogas, mas sim pela construção de soluções pacíficas e democráticas, orientadas ao bem estar da sociedade. Para isto faz-se necessário aprofundar, sem moralismos, o debate sobre o modelo de legalização que queremos (sob o risco de prevalecer as propostas de legalização de mercado, comandada pelas transnacionais), o modelo de educação que queremos (não mais uma educação repressiva que ensina através do medo e não discute o que é de fato necessário) e a construção de lutas que pautem a mudança da legislação vigente, articuladas com o projeto de sociedade que defendemos, o socialismo.
A lei deve estar a favor da paz! Uma nova política de drogas é urgente e necessária!
*Alex Monaiar é estudante de psicologia e Pedro Sérgio da Silveira estudante de história na UFSM, ambos são membros do Coletivo Verde.

Consulta para Reitor 2013: Vale à pena participar!



Consulta para Reitor 2013: a conquista do Voto Paritário!
Vale à pena participar!

Nos dias 02 e 03 de julho de 2013 acontecerá a consulta para do reitor e vice-reitor da UFSM para a gestão dos próximos quatro anos. Essa consulta será paritária, onde os votos dos três segmentos da universidade terão o mesmo peso: 1/3 para docentes, 1/3 para técnicos administrativos em educação (TAEs) e 1/3 para estudantes. Essa divisão, porém, só se concretiza se a mesma porcentagem dos segmentos votarem, pois o peso é dividido pelo número total de membros da categoria. Ou seja, quanto mais estudantes votarem, maior será nossa influência nesta decisão.
Houve tempos em que sequer a comunidade acadêmica era consultada e os dirigentes destas instituições eram indicados pelo Poder Executivo Nacional. Esta prática não morreu, existem várias Universidade do Brasil que ainda se utilizam dela. No Brasil, muitos foram muitos aqueles e aquelas que morreram lutando por uma universidade mais democrática e popular durante o período da ditadura. Se hoje temos na UFSM uma consulta realmente paritária para reitoria da instituição, isto é fruto da luta estudantil.
Neste momento de escolha da nova reitoria da UFSM, é necessário termos presente a luta dos e das estudantes por democracia nas Universidades e salientarmos mais uma vez o papel destes(as) para a transformação destas instituições. Ressaltamos o papel do Movimento Estudantil neste processo, que mediante sua ação faz com que tão antiga quanto à história das universidades, seja a luta pela sua transformação.
Estamos entre aqueles(as) que acreditam no papel dos(as) estudantes para definir os rumos e as transformações nas Universidades e dizemos aos estudantes da UFSM: vale à pena participar! Ainda, temos que dizer neste momento: queremos mais participação estudantil na gestão da Universidade!


    Se os nossos sonhos não cabem em uma urna, nosso papel é atuar no sentido das transformações!

Participe dos debates e da consulta para reitor da UFSM!
Eu voto, eu cobro, eu participo!



quarta-feira, 22 de maio de 2013

Consulta para Reitoria 2013: Candidaturas acordam normatização para a campanha eleitoral e calendário de debates

Na manhã do dia 21 de maio (ontem), as três candidaturas para reitoria da UFSM estiveram reunidas junto à Comissão de Consulta para que fosse fechado um acordo mais amplo quanto à normatização das campanhas eleitorais.

No acordo, foram fixadas as seguintes orientações:
 · Fica proibido veicular matéria paga em qualquer veículo de comunicação.
· Fica estabelecido que a propaganda eleitoral fora do âmbito da Universidade deverá observar o Código de Postura das Cidades.
· Fica estabelecido que nos Centros de Ensino, a propaganda eleitoral deverá observar a sua regulamentação interna.
· Fica proibida a utilização de spray de tinta e fixação de propagandas com cola fora dos locais regulamentados pela Comissão de Consulta.
· Fica expressamente proibida a utilização de árvores e postes para a fixação e ou suporte de material de campanha.
· Fica vedado o recebimento de contribuição financeira e material, para fins de campanha, de qualquer partido político e de outras entidades externas à UFSM, bem como de órgãos internos da UFSM.
· A participação nos trabalhos de campanha fica restrita aos membros da Comunidade Universitária.
· Fica estabelecido que os debates oficiais deverão ser acertados previamente entre a Comissão de Consulta e as chapas inscritas.
· Dos debates poderão participar os candidatos a Reitor e/ou seus respectivos candidatos a Vice-Reitor.

Além disso, foi acordado que haverão apenas debates oficiais.
Foram acordados cinco debates:
  • 11 de junho, em Frederico Westphalen, à tarde; e em Palmeira das Missões, à noite;
  • 19 de junho em Santa Maria, debate às 15h no campus, voltado à comunidade universitária;
  • 26 de junho em Santa Maria às 18h, na Câmara de Vereadores, aberto à comunidade em geral.
  •  um debate a critério das entidades representativas dos três segmentos (ASSUFSM, SEDUFSM e DCE)
 O formato dos debates ainda está sendo discutido pela comissão e representantes das chapas e deverá ser divulgado nos próximos dias.

O regimento completo da Consulta à Comunidade Acadêmica pode ser conferido AQUI.



Participe dos debates e da consulta para reitor da UFSM!
Eu voto, eu cobro, eu participo!