sábado, 20 de agosto de 2011

A Problemática do CAFW



Durante o CEPE (Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão) desta sexta-feira (19/08), o DCE levou aos conselheiros e a comunidade acadêmica uma pauta que deixou os presentes indignados: as condições de moradia dos alojamentos do Colégio Agrícola de Frederico Westphalen (CAFW).

Durante a semana da calourada o DCE conversou com alguns internos do alojamento, e constatou diversos problemas, tanto de infraestrutura ( que já era de conhecimento de todos) como também de condições insalubres de moradia e repressão que os estudantes sofrem. Fatos curiosos chamam a atenção, como por exemplo, o relato de que um dos internos estava com muita dor na perna, e ao procurar os responsáveis, acabou apenas sendo medicado com paracetamol, quando após muita insistência, devido a dor insuportável foi conduzido ao atendimento médico e constatou-se que a perna estava quebrada. Detalhe: o CAFW tem a sua disposição um médico de plantão e enfermeira. Outra coisa que chama a atenção, é a repressão que os meninos sofrem por parte dos responsáveis e seguranças, afinal o dever desses funcionários é o de proteger e auxiliar os internos e não de dificultar as suas vidas.

A acadêmica de Serviço Social Cíntia Florence, representante do DCE no CEPE, leu para todos os conselheiros trechos do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) mostrando vários pontos que não estavam sendo cumpridos pela administração do CAFW, como os mostrados logo abaixo:

"Art. 94 - As entidades que desenvolvem programas de internação têm as seguintes obrigações, entre outras:

I - observar os direitos e garantias de que são titulares os adolescentes;

II - não restringir nenhum direito que não tenha sido objeto de restrição na decisão de

internação;

III - oferecer atendimento personalizado, em pequenas unidades e grupos reduzidos;

IV - preservar a identidade e oferecer ambiente de respeito e dignidade ao

adolescente;

V - diligenciar no sentido do restabelecimento e da preservação dos vínculos

familiares;

Vl - comunicar à autoridade judiciária, periodicamente, os casos em que se mostre

inviável ou impossível o reatamento dos vínculos familiares;

Vll - oferecer instalações físicas em condições adequadas de habitabilidade, higiene,

salubridade e segurança e os objetos necessários à higiene pessoal;

VllI - oferecer vestuário e alimentação suficientes e adequados à faixa etária dos

adolescentes atendidos;

IX - oferecer cuidados médicos, psicológicos, odontológicos e farmacêuticos;(lembra do caso do menino que quebrou a perna e o guarda o deu um paracetamol e somente horas depois que o menino foi levado ao hospital?)

X - propiciar escolarização e profissionalização;

Xl - propiciar atividades culturais, esportivas e de lazer;

Xll - propiciar assistência religiosa àqueles que desejarem, de acordo com suas

crenças;

XlIl - proceder a estudo social e pessoal de cada caso;

XIV - reavaliar periodicamente cada caso, com intervalo máximo de 6 (seis) meses,

dando ciência dos resultados à autoridade competente;

XV - informar, periodicamente, o adolescente internado sobre sua situação processual;"



E vários outros artigos que não estavam sendo cumpridos. Entre as aplicações para quem não os cumpre estão:


"Art. 97 - São medidas aplicáveis às entidades de atendimento que descumprirem obrigação constante do art. 94, sem prejuízo da responsabilidade civil e criminal de seus dirigentes ou prepostos:

I - às entidades governamentais:

a) advertência;

b) afastamento provisório de seus dirigentes;

c) afastamento definitivo de seus dirigentes;

d) fechamento de unidade ou interdição de programa;"


Vale ressaltar que nos três alojamentos do CAFW, estão internados cerca de 260 estudantes, que de certa forma ficam lá isolados, pois o campus de Frederico Westphalen da UFSM é afastado da cidade, e durante os finais de semana geralmente eles não possuem muito o que fazer, não tendo opções de cultura e lazer. É curioso que, ao terem 5% de faltas no semestre letivo, os internos perdem o direito ao internato, sendo que as aulas acontecem de forma integral.


Durante a explanação dos diversos problemas que o CAFW passa, os representantes do DCE distribuíram aos presentes no Conselho, fotos que relatam o estado insalubre dos alojamentos, além de uma montagem com o senhor Reitor. Nas fotos, podemos ver que nos quartos estão alojados cerca de 20 pessoas, com precário estado de infraestrutura e condições nada higiênicas dos banheiros.


O Reitor garantiu que vai cobrar explicações da administração do CAFW, e afirmou que já existe um projeto encaminhado para melhorar as condições, construindo uma nova moradia. Mas enquanto o projeto não sai do papel (já que esse projeto é histórico), o DCE não vai se calar, e vai exigir imediatamente que seja feito algo para dar plenas condições de estudo e vida a esses estudantes. DCE UFSM, a luta não para jamais!Seguimos EM FRENTE, como um DCE AUTÔNOMO e de LUTA!



Confira as fotos das condições dos alojamentos do CAFW apresentadas durante o CEPE:













Por Vinícius Jean Barth

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

DCE pressiona reitoria durante o CEPE

Na manhã desta sexta-feira (19/08), ocorreu mais uma edição do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) na reitoria da UFSM. Além das ordens do dia, e das deliberações rotineiras que passam por esse importante conselho da universidade, os representantes do DCE usaram o espaço de comunicações do mesmo, para divulgar as atividades do movimento estudantil e fazer vários alertas e denúncias de indignação referentes a falta de um efetivo programa de assistência estudantil nos novos campi da UFSM.

Iniciou-se com os repasses referentes a semana da calourada promovida pelo DCE e pela diretoria da CEU II, como contraponto ao trote convencional, apresentando aos calouros seus direitos e deveres como acadêmicos, além de levantar diversos debates. Também foi colocado a participação do DCE nas calouradas em Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Silveira Martins. O DCE anunciou que representantes da FEAB (Federação dos estudantes de Agronomia do Brasil) dos dois campi onde há o curso na UFSM assumiram no CONEA ( Congresso Nacional dos Estudantes de Agronomia) a coordenação nacional da executivo do curso no movimento estudantil, assim como representantes da ABEEF (Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal) também de dois campi, assumiram em seu congresso a coordenação regional da executiva.

No entanto, o ponto alto dos informes foi referente a assistência estudantil nos campi da UFSM. O DCE mais uma vez colocou o problema da meia-passagem na cidade de Frederico Westphalen, que deve ser um direito de todos os estudantes e exigiu uma postura mais rígida da reitoria em relação a administração municipal da cidade. No entanto, depois de muito tempo e várias reclamações, finalmente os estudantes de Frederico Westphalen que possuem o BSE (benefício sócio-econômico) terão direito a 1 passagem gratuita por dia, depositada semestralmente mediante cadastro que sairá em breve.

Quanto a questão da casa do estudante nos campi de Palmeira e Frederico, o DCE deixou claro que não vai compactuar com o regime de segregação que será imposto para eliminar pessoas que também possuem direito a morar na casa, colocando assim apenas os 36 em cada campi que possuem menor renda. Entendemos que a assistência estudantil deve ser garantida a todos que têm esse direito, e propomos a criação de uma comissão que estude uma maneira imediata e alternativa de estar suprindo temporariamente essa demanda por assistência, fazendo assim que os objetivos de expansão das universidades públicas se cumpram, garantindo o acesso digno a todas as classes da sociedade, que historicamente ficaram a margem do ensino superior público e de qualidade.

DCE UFSM, autônomo e de luta!Por uma Universidade Pública, Democrática e Popular seguimos EM FRENTE!

Por Vinícius Jean Barth, Acadêmico de Engenharia Florestal da UFSM/FW

Catacultura: VIII Sarau das Letras




Bem vindo
às catacumbas
aqui
jazem
os poetas
em suas tumbas
não dizem o que
fazem
no fim do
mundo
nenhum sol
nenhuma fresta
que lindo
nem um só
resta
ninguém mais
perturba
o barulho da festa

O Diretório Acadêmico de Letras (DAL) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSM convidam todos para o VII Sarau das Letras. Hoje, às 21h, na catacumba da Boate do DCE. O Sarau faz parte da programação do Catacultura, espaço criado em 2011 pelo DCE.

Veja também a divulgação do evento no Facebook: http://www.facebook.com/event.php?eid=218371641549072

Mais em:
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Facebook do DCE


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Conheça o Projeto de Lei que congela em dez anos o salário dos servidores federais

Uma das principais pautas de reivindicação do movimento grevista nas IFES (Instituições Federais de Ensino Superior), seja de Técnicos Administrativos em Educação ou de docentes, é a não aprovação do Projeto de Lei Complementar 549/2009 que congela por dez anos os salários dos servidores federais. O Projeto de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR) é uma complementação a LC 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal).

Ao acrescentar o artigo 72-A à Lei de Responsabilidade Fiscal, lê se: "A partir do exercício financeiro de 2010 e até o término do exercício de 2019, a despesa com pessoal e encargos sociais da União, para cada Poder e órgãos referidos no art. 20, não poderá exceder, em valores absolutos, ao valor liquidado no ano anterior, corrigido pela variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ou o que venha a substituí-lo, verificado no período de 12 (doze) meses encerrado no mês de março do ano imediatamente anterior, acrescido de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) ou da taxa de crescimento do PIB, o que for menor". Na prática, este artigo proíbe reajustes de salário acima da inflação (aumento real) até o final de 2019.

Após passar pelo Senado Federal, o Projeto foi enviado a Câmara dos Deputados, em que três comissões foram responsáveis pela análise. Em uma delas (Constituição e Justiça), ainda não há parecer e nem relator nomeado. A Comissão de Trabalho, Adminitração e Serviço Público rejeitou o projeto, após parecer do deputado Luiz Carlos Busato (PTB-RS, atualmente Secretário de Obras do Governo Tarso Genro), que pedia a rejeição. Na Comissão de Finaças e Tributação foi nomeada relatora a então deputada Luciana Genro (PSOL-RS), que igualmente pediu a rejeição do projeto, mas o parecer não teve tempo de ser votado na legislatura passada, sendo nomeado relator na Comissão em 2011 o deputado Pepe Vargas (PT-RS), que ainda não apresentou parecer.


Quem é Romero Jucá
Governador do então Terrotório Federal de Roraima nomeado pelo então presidente José Sarney em 1988. Foi presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio) no governo Sarney, foi diretor da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e Secretário Nacional de Habitação no governo Fernando Collor, e vice-líder no Senado do governo Fernando Henrique, quando Jucá ainda era filiado ao PSDB. Com a eleição de Lula em 2002, Jucá sai do PSDB e vai para o PMDB, partido do qual é presidente estadual em Roraima. No governo Lula, Jucá foi ministro da Previdência Social e líder do governo no Senado. No governo Dilma, Romero Jucá segue como líder no Senado Federal.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Cachoeira do Sul comemora expansão da UFSM para o município



Confira a nota da Reitoria da UFSM em relação ao anúnio da expansão de Cachoeira do SIL

Texto de Daniel Cassol e foto de Muà Souza, para o
Sul 21


O governo federal deve confirmar no próximo dia 16 a expansão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para o município de Cachoeira do Sul, na região central do Rio Grande do Sul. Autoridades locais foram convidadas para uma cerimônia com a presidenta Dilma Rousseff na próxima terça-feira, às 11h, em Brasíila. Em Cachoeira, o clima é de festa pela conquista que vem sendo perseguida há cerca de dois anos.

A informação chegou a Cachoeira do Sul depois que o prefeito Sergio Ghignatti (PMDB) e a vereadora Mariana Carlos (PT) receberam convites para a solenidade, na próxima semana, na qual o governo federal vai anunciar a expansão de institutos e universidades federais. Segundo a Rádio Fandango, a cidade festejou o anúncio até mesmo com um foguetório na praça central.

A assessoria de imprensa do Ministério da Educação não deu detalhes do anúncio, que apresentará uma segunda fase do processo de expansão da rede de universidades e institutos federais tecnológicos, além da criação de novas unidades em todo o Brasil. A UFSM já conta com dois campi avançados em Frederico Westphalen e Palmeira das Missões, na região norte do Rio Grande do Sul.

“Depois da autorização da expansão pelo governo, há um segundo passo que é garantir a aprovação pelo Conselho Universitário da UFSM”, afirma a vereadora petista. Caberá à universidade decidir se cria, em Cachoeira, os cursos de licenciatura em Matemática e Física e de bacharelado em Ciência e Tecnologia.

Inicialmente, a UFSM funcionaria em uma escola que seria alugada em Cachoeira, até a construção de um prédio próprio em um terreno cedido pela prefeitura. A confirmação da expansão coroa um movimento que começou com lideranças políticas e empresariais do município, há cerca de dois anos, e se intensificou nos últimos meses com manifestações de estudantes.

“A proposta da UFSM é um dos projetos educacionais mais importantes do Sul do Brasil. Só em Cachoeira do Sul terá um curso de Ciência e Tecnologia, o que vai impulsionar o desenvolvimento da região”, comemora Mariana.


domingo, 14 de agosto de 2011

Vontade, Realidade e Política

Vontade, Realidade e Política. A oportunidade de pautar as contradições entre as classes sociais através da Política de Cotas e expansão do Ensino Superior

Por Ivan Siqueira Barreto*


No segundo semestre de 2008, foi aprovado o Programa de Ações Afirmativas da UFS (Paaf). A votação, que ocorreu no CONEPE, contou com apenas dois votos contrários. O programa foi inaugurado no vestibular 2010, prevendo 50% das vagas para estudantes de escolas públicas. Dessa parcela, 70% foram destinadas a estudantes negros, pardos e índios.

O programa durará 10 anos, mas após os primeiros cinco anos será feita uma avaliação que contará com uma comissão de monitoramento. Naquele momento de calmaria política, o fato não gerou grandes polêmicas, como ocorrera em outras universidades. Com exceção de alguns ciclos de debates de grupos de estudos e do Movimento Estudantil. Na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), por exemplo, o tema gerou enormes tensões na sociedade, inclusive fazendo brotar manifestações neonazistas dentro e fora da Universidade. Porém, no ano da entrada das primeiras turmas de cotistas, foram colhidas as primeiras manifestações sociais que demonstraram as raízes da burguesia brasileira e inclusive o seu poder de reação frente ao jogo político de medição de força

Desde a ditadura militar a direita organizada não adentrava os muros das Universidades Públicas que, apesar de elitistas, mantinham os principais focos do pensamento progressista e de esquerda. Mas em 2010 uma parcela importante dos representantes das escolas particulares do estado de Sergipe canalizou um movimento ofensivo de deslegitimação do Paaf, taxando-o de injusto, inconstitucional, separatista e outros argumentos que, como sempre faz a burguesia, maquiam os reais interesses político-econômicos da sua classe.

O estopim dessa investida surgiu quando um grupo de vestibulandos do curso de Medicina, junto com seus advogados, acionou a justiça alegando que pontuaram tão quanto os cotistas. Os ditos injustiçados fizeram um ato expressivo na Reitoria, junto com seus aliados da imprensa e meia dúzia de donos de escolas particulares.Nesta ocasião, não houve nenhuma manifestação do movimento estudantil, negro, secundarista, docente, dos servidores e partidos de esquerda em geral. Uma parte não se movimentou porque há tempos se institucionalizou de tal forma que as lutas sociais não são mais do que pano de fundo para porta retratos, outra parte também não se movimentou porque faz oposição sistemática à reitoria/Governo e, por essa razão, preferem pedir licença da luta de classes a ter que dividir a fotografia. De tanto lutarmos pela grande-estrutura, desprevenimos para o vizinho ao lado.

A História do Brasil não esconde que o caminhar da nossa burguesia sempre conservou características concentradoras e dependentes. Não por acaso estivemos atrás inclusive das colônias contemporâneas da América Espanhola no que diz respeito ao ensino. Nossa burguesia nunca tolerou mártires populares, reformas estruturantes, ciclos democráticos e perda de qualquer migalha de poder.Hoje temos, segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), 8,72% de estudantes negros no ensino superior. Apesar de pouco, houve um crescimento equivalente a 47,7% com relação aos números de 2003, que eram inferiores a 6%. No Brasil, temos hoje 50 milhões de jovens (entre 15 e 29 anos) e destes apenas 13% têm acesso ao ensino superior (entre 18 e 24 anos).

Os mesmos setores que contestam as cotas dizem propor algo melhor. Que os negros e negras aguardem (em suas palafitas) um melhora no ensino básico para que no futuro entrem. Uma piada, de boa “índole”, nunca é demais!

A nossa vontade é instaurar uma educação para a classe trabalhadora, ou o que chamamos de Universidade Popular. Porém, este projeto, acertado, pode ativar alguns erros políticos. O mais recorrente é o de idealizar esta universidade nas condições atuais, valorizando demasiadamente as metodologias participativas. Outro é o de praticar um idealismo de esquerda, ou seja, não conseguir influenciar o momento atual sobre pautas e momentos contraditórios alegando que tais reformas são “melhorismos” do capital e que nesse caso a esquerda deve se afastar da "lama" do FMI e se abster da política.

É óbvia a afirmação que a educação dos/para os trabalhadores só se tornará hegemônica quando a classe trabalhadora tomar o poder. Mas, enquanto isso não ocorre, a esquerda terá que percorrer momentos contraditórios de acúmulo de forças por dentro do capitalismo. Não é demais lembrar que o famoso Maio de 68 Francês se deu num momento de articulação de reformas no pós-guerra europeu, que realizou uma ampla expansão do ensino, chegando, em alguns casos, a haver saltos de 5 mil para 40 mil matrículas numa só universidade. Esta expansão possibilitou objetivamente uma alteração na composição política daquela época. A burguesia brasileira, que não tolera alterações maiores que 2% nas suas margens de concentração, já está assimilando os reflexos da política de cotas. Está havendo uma leve, mas real, fixação no ensino médio e fundamental público. Ou seja, a atenção que antes era quase nula com relação ao ensino público básico foi alterada. Isto interfere no ramo das escolas e cursinhos particulares e ainda coloca em cena a POSSIBILIDADE de rediscutir a educação básica.

Lutar por ampliação das vagas não é lutar pela precarização, pois a universidade que sempre serviu às classes dominantes não ofereceu e nem oferece nada para a classe trabalhadora. Este mote dialoga muito mais com a pequena burguesia, que por essência é antipopular, do que com a ideia desenvolvida de Universidade Popular. Aliás, a ideia de Universidade Popular, construída no Peru no início do séc XX, materializava-se em pautas como autonomia (contra o modelo colonial), bolsas para estudantes pobres, paridade nos conselhos, concursos e livre docência, inclusive recebendo a contribuição do grande teórico revolucionário e “Pai” do Marxismo latino-americano, José Carlos Mariátegui (docente).A expansão e a política de cotas, que estão envolvidas no processo econômico do capitalismo, colocam a possibilidade não de depositarmos nossas expectativas pragmáticas nessas CONQUISTAS, mas de escolher se é melhor que a contradição de cor e classe se mantenha fora ou dentro dos muros das universidades públicas, pois a alternativa colocada é essa. O que definirá um período mais avançado das lutas nesse terreno é o quanto conseguiremos avançar na organização dos estudantes em torno das pautas que devem orientar a construção da esperada Universidade Popular.

Cavar um vácuo entre a possibilidade real de diálogo com as massas é negar a política, por isso vontade sem realidade só cabe em mesa bar e Twitter.De antemão, queremos a expansão. Nessa conjuntura as alternativas reais estão entre o médio e o pior. Dessa forma, a luta para ampliação das políticas estudantis de assistência, permanência e qualidade, entoará questões demasiadamente profundas na sociedade e assim poderá dar chances para que a proposta da esquerda encontre “brecha” histórica para ser apresentada. Não é esquematismo, é aposta na realidade, ou na política!

*Militante do Levante Popular da Juventude e da Consulta Popular/SE.

Agosto de 2011

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

DCE cobra esclarecimentos ao diretor do CESNORS

Nesta quinta-feira (11-08) o DCE e representantes dos diretórios acadêmicos de agronomia, engenharia florestal, engenharia ambiental, jornalismo, relações públicas e sistemas para internet da UFSM Frederico Westphalen estiveram reunidos com o diretor do CESNORS, Genésio Mario da Rosa, afim de esclarecimentos por parte da direção a respeito dos diversos problemas encontrados no campus dessa cidade.

Quando questionado sobre a questão da casa do estudante, que tanto já gerou polêmica entre acadêmicos e professores, o diretor colocou que a casa não está ocupada ainda, porque ocorreu um problema com os pisos que serão substituídos por pisos do tipo “tabuão”. Outro problema que ocorre é a falta do patrimônio interno da casa do estudante (cama, chuveiro, roupeiro, etc) que apesar de licitados e empenhados, ainda não vieram. O diretor ainda coloca que a única responsável pela casa do estudante é a PRAE (Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis). O estranho é que a PRAE dificilmente dá as caras por aqui e deixa muito a desejar, fato que comprova isso, foi o que ocorreu no semestre passado, quando somente em maio a PRAE repassou a informação para o CESNORS de que o teto da carência havia subido para 750 reais e não mais 500, uma vitória da gestão AVANTE, da qual o DCE gestão EM FRENTE é sucessora.

Sobre o número de vagas na casa e o número de beneficiários da assistência estudantil, o diretor colocou que será feito uma seleção com critérios definidos pela PRAE, a fim de limitar o direito dos estudantes que possuem o BSE (Benefício Sócio-Econômico), que por lei têm direito a moradia estudantil. Assim, através do que podemos chamar de “ranking pobreza”, haverá uma segregação entre os estudantes, não trazendo a inclusão social que as políticas educacionais que criaram e expandiram as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) objetivam, onde todas as classes sociais tenham acesso ao ensino superior público e de qualidade. Quanto à ampliação imediata da casa do estudante, o Professor Genésio coloca que não há verba para ampliar a mesma, no entanto há projetos encaminhados com deputados estaduais e federais. E os recursos destinados através do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) do governo federal que são repassados as IFES, onde eles estão sendo aplicados em nossa instituição?

Quanto à questão da infraestrutura interna, o diretor coloca que é papel da administração municipal, se responsabilizar por isso, uma vez que da mesma forma que a universidade proporciona inúmeros benefícios e fatores de desenvolvimento no município em que está localizada, é dever do poder público municipal fazer as obras necessárias para o progresso e vitalidade da instituição, como na construção de vias de acesso, iluminação, etc. Entretanto, não é isso que vemos.

A administração do CESNORS foi a Brasília para captar recursos para o calçamento tanto para Frederico Westphalen, quanto para Palmeira das Missões. O ministério liberou 100 mil reais para Frederico Westphalen e nada para Palmeira das Missões. As obras deveriam ter iniciado em 4 de abril deste ano e concluídas até o dia 4 de setembro próximo, mas a realidade é outra. As obras foram iniciadas no fim do primeiro semestre letivo, e logo foram interrompidas. A explicação é que a liberação de verba depende do financiamento da CAIXA, que libera conforme o avanço da obra, bem como a liberação de verba da prefeitura para que as obras continuem, porém o que se tem é uma resistência por parte da mesma, como colocado pelo diretor de centro Genésio. A prefeitura também não se encarregou de garantir a iluminação do campus da maneira como deveria, o que agora foi conseguido por parte da universidade, onde em breve ocorrerá a instalação de cerca de 40 postes de iluminação.

Quanto à licitação dos bares da universidade, o repasse que temos é de que a licitação terminou e será aberta outra em breve, enquanto isso, o bar do CAFW ficará fechado e o bar da universidade teve o prazo da atual licitação estendido por 60 dias.O DCE vai ficar de olho nessa licitação, para que de fato, garanta um atendimento justo e de qualidade aos estudantes.

Por fim, o diretor ao ser questionado sobre a votação do novo regimento do CESNORS que foi para votação no Conselho de Centro, disse que está sendo adiado justamente por causa da greve. Entre as principais mudanças, estão a inclusão de 6 cursos que vieram do REUNI e a inclusão do setor de patrimônio.

Apesar de toda a conjuntura nacional quanto às políticas de expansão das IFES, dos problemas e dificuldades encontrados tanto por alunos quanto professores, o que se vê é que em Frederico Westphalen, assim como em Palmeira das Missões, os problemas são muitos e poucos são aqueles que se responsabilizam pelos mesmos. Mas o DCE não vendará os olhos para estas situações, afinal “quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem” (Rosa Luxemburgo).


Por Vinícius Barth, estudante de Engenharia Florestal UFSM – campus Frederico Westphalen

Colaboração de Cíntia Florence, estudante de Serviço Social UFSM – campus Santa Maria

DCE dá boas vindas aos calouros da UFSM/CESNORS



Na manhã do dia 9 de agosto, representantes do Diretório Central dos Estudantes – Gestão Em Frente – recepcionaram os calouros dos cursos de Relações Públicas, Tecnologia em Alimentos e Sistemas para Internet da UFSM-CESNORS (Centro de Educação Superior Norte do Rio Grande do Sul) campus Frederico Westhphalen. O espaço foi realizado em conjunto com os Diretórios Acadêmicos dos referidos cursos, com apresentação das entidades que representam os estudantes, bem como o caráter do movimento estudantil e da universidade e suas respectivas relações com a sociedade.

Foi exposto a forma dos estudantes obterem o Benefício Sócio-econômico (BSE) e os respectivos direitos que este benefício, garantido pela PNAES (Programa Nacional de Assistência Estudantil) proporciona aos estudantes. Dentre estes direitos estão restaurante universitário, auxílio transporte e moradia estudantil, sendo que esta última os estudantes do CESNORS desconhecem totalmente, pois a Casa do Estudante, tanto em Frederico Westhphalen como em Palmeira das Missões, apesar de estar tecnicamente pronta a meses, ainda não se encontra a disposição dos estudantes com o BSE. Vale ressaltar que há aproximadamente 500 estudantes com o BSE, em ambos os campus do CESNORS, há apenas 36 vagas em cada Casa do Estudante dos campi, algo que gera indignação por parte dos estudantes, afinal, Assistência Estudantil não é um favor e sim um direito dos estudantes.

Já na manhã do dia 10, no campus da UFSM-CESNORS em Palmeira das Missões houve espaço semelhante realizado no dia anterior, com os calouros da Nutrição, onde uma das calouras colocou a situação do movimento estudantil no período de sua primeira graduação, quando fazer parte do movimento estudantil e da União Nacional dos Estudantes era considerado um crime. Interessante ressaltar o caráter autônomo e de luta da UNE neste período, o que não vemos hoje.

Foi realizado também, em ambos os espaços, dinâmica que trouxe a tona o debate sobre preconceitos e opressões, onde além da descontração entre os calouros houve a reflexão sobre como a sociedade trata negros, prostitutas, homossexuais, indígenas, portadores de necessidades especiais, mulher, entre outros. Alguns dos calouros “sentiram na pele” as opressões que a sociedade impõe a estes e quando perguntados se eles haviam gostado, a unanimidade na resposta foi rápida: “NÃO!”.

Houve também uma fala rápida, por motivo de não consenso dos professores, com os calouros de Biologia e Economia do CESNORS – campus Palmeira das Missões. A princípio, com os calouros de Engenharia Ambiental, o DCE realizará um espaço na sexta-feira, dia 12.


Por Cíntia Florence, estudante de Serviço Social na UFSM - campus Santa Maria

Fotos: Fábio Pelinson, estudante de Jornalismo na UFSM - CESNORS - Frederico Westhphalen

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Companhia Afro-Cena apresenta peça na Calourada



A Companhia Afro-Cena, de Venâncio Aires, apresenta a peça Um Sorriso Negro, na sexta-feira, às 20h, no Teatro Caixa Preta, anexo ao Prédio 40 (Centro de Artes e Letras - CAL). O evento faz parte da programação da Semana da Calourada, promovida pelo DCE da UFSM, que conta também com o apoio do Afronta, coletivo de estudantes negros da Universidade. A entrada é gratuita.



O texto retrata a história de uma família onde o pai é um grande empresário negro, que por ser consumista e focado no sistema captalista, acaba deixando para trás sua história e suas raízes africanas, passando a valorizar apenas seus negócios e suas empresas. Esquecendo dos sonhos e ideais de seus filhos, passa a ignorar tudo isso os obrigando a seguir os seus planos. Até que chega o momento que seu filho lhe apresenta um projeto cultural, onde tem como pano de fundo a lei 10639. O pai assiste ao filme do filho e sente-se tocado pelo seu passado e suas raízes africanas.

Para saber mais sobre o Afro-Cena, companhia fundada em 2008 acesse o site aqui.



Educação Universitária Pública, Popular, Multicultural e Pluriétnica


A UFSM se transformará numa grande aldeia intercultural. O Núcleo de Estudantes Universitários do GAPIN – NEU/GAPIN , com o apoio do DCE, de lideranças, estudantes e produtores culturais indígenas, promove nesta quinta-feira (11), às 16h, o debate Educação Universitária Pública, Popular, Multicultural e Pluriétnica, uma oportunidade de escutar aqueles que são diretamente atingidos pelas políticas afirmativas, os estudantes universitários Guarani e Kaigang, defendendo um modelo de educação que respeite e valorize suas culturas e passe longe de conceitos como integração e tutela.

O debate acontece no Salão Imembuí, 2º Andar do Prédio da Reitoria da UFSM, e integra a programação da Semana da Calourada Indígena, promovida pelo Gapin em parceria com o DCE da UFSM.

Estamira na volta do Catacultura


Estamira, documentário brasileiro lançado em 2004 e com direção de Marcos Prado, será exibido nesta sexta-feira, na volta do Catacultura. O Catacultura "Loucura e Sociedade" é uma promoção do DCE da UFSM e dos Diretórios Acadêmicos dos cursos de Enfermagem, Medicina e Terapia Ocupacional. O filme e o debate posterior começam às 21h, na Catacumba do DCE.

Estamira conta a história de uma mulher de 63 anos de idade que sofre de distúrbios mentais, vive e trabalha há mais de 20 anos no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, o maior aterro sanitário do Rio de Janeiro. Ao longo do filme é possível acompanhar os efeitos que os remédios causam em seu comportamento, assim como as dificuldades por parte da família em conviver com alguém diagnosticado como “louco”.





O documentário ganhou importantes prêmios em festivais, como o Prêmio de Melhor Documentário em Memória a Pablo de la Torriente Brau, no Festival de Havana, o Grande Prêmio do FIDMarseille, do Festival Internacional de Documentários de Marseille e o Grande Prêmio de Cinema de Direitos Humanos de Nuremberg. Também teve menção honrosa no Festival Internacional de Cinema de Londres e o Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema de Miami.

No último dia 27 de julho, Estamira, a "personagem real" que dá titulo ao documentário morreu aos 72 anos. A revista Caros Amigos publicou um belo obituário, intitulado Estamira, presente!, de autoria de César Fernandes, que pode ser conferido AQUI.

Volta da Catacumba na Sexta


Rage Against the Machine cover e Planet Hemp cover reestreiam a Catacumba do DCE nesta sexta-feira. O espaço da catacumba estava fechado para que fosse realizado um isolamento acústico no local. A festa tem entrada franca para estudantes universitários e começa às 11h30 na Boate do DCE, no prédio da CEU I da UFSM, no centro de Santa Maria.

Antes, às 21h, tem a volta do Catacultura, com a temática "Loucura e Sociedade" e a exibição do documentário Estamira.

Confira um pouco do Planet Hemp e de Rage Against the Machine


DCE divulga listão da boate

O Diretório Central dos Estudantes de Santa Maria tem a honra de divulgar os mais novos (e mais velhos também) documentos que foram perdidos na boate. Confira!

     RG 
 Anderson Borin Rodrigues
Anderson Unter de Moraes
 Cassia Helena Brites Rodrigues
 Douglas de Oliveira Martins
 Elisa Bronzatto Friedrich
 Fernando Sebalhos Marasca
 Gabriela Righi Fagundes
 Gleicon de Oliveira Brum
 Jenifer Petry Vescia
 Juliana Teixeira Trevisan
 Larissa Librelotto Prevedello
 Letícia dos Santos Petry
 Marcel Possobon Souza
 Marina Gaviraghi Brusolin
 Marina Moesch Silveira
 Rossana Machado de Lima
 Thais Carlosso Grizza
 Thales Ferreira Luz

     Carteira da Biblioteca (UFSM) 
 Amanda da Silva Correa
 Andressa Carolina Petzhold
 Bianca Santana de Cecco
 Carolina Georg Dressler
 Cristiane Fortes Marks
 Cristiane Teixeira Vargueiro da Cruz
 Cristina Lima Rodrigues
 Dairan Mathias Paul
 Diego Machado Neves
 Elisa Gonçalves da Cunha
 Fabiana Trevisan Silva
 Fabio Brum Rosa
 Gabriela Simonato Salamoni
 Graciele Pasqualeto Carpes
 Guilherme Dutra Balbe
 Juliano Nunes Alves
 Karine Chechi Walczak
 Leandra Matte
 Leticia dos Santos Petry
 Marcel Possobon Souza
 Nathalia Schneider
 Pamela dos Santos Saraiva
 Tales Maicá Machado
 William Cezar Remedi Guedes

     Carteiras velhas da ATU
 Everson Daniel Silva da Co
 Gabriela Simionato Salamoni
 Gilmar Nunes Correa
 Jeronimo Duarte Ferreira D
 Julia do Carmo da Silva
 Natanna Mello Rosado
 Nathalia Schneider
 Tales Maica Machado

     Unifra 
 Fernanda Abegg
 Laurício Cardoso
 Leonardo Lazzarin de Moura
 Manoel M. de Souza de Mello Mattos
 Mateus Figueira da Silva
 Matheus Rosa Pinto
 Shana Pase
 Tatiane do Nascimento Maciel 
 Wladmir Coelho Medeiros

     Outros 
 Adriana da Rosa Feltrin
 Alanna Fagundes Turchetti
 Alcimoni Nelci Comin
 Allana Rabenschlag Xavier
 Camila Dias Araujo
 Cleidi Cinara Alves
 Daliana Loffler
 Daniel da Silva Soldati
 Danieli Althaus
 Dariane da Silva
 Debora Schallemberg
 Diego Barroso Serra
 Dimitri Mendonça
 Fabio Henrique Paniagua Mendieta
 Gabriel do Valle Felix
 Giovani da Silva Malgarin
 Gustavo Amaral Sant Ana
 Jeanini Dalcol Miorin
 Jessica Rocha da Silva
 Joana Rebesquini Teixeira
 Pedro Guilherme Simões Azzolin
 Rafael F. Dambrosio
 Reiner C. O. Mentges
 Stefania Dockhorn Grunspan
 Teresa Schaidhauer
 Vagno Rossano M. Martins
 Vinicius Mitto Navarro  






Os documentos podem ser retirados na Secretaria do DCE, na Professor Braga, 79 (em cima da boate) de segunda a sexta-feira das 14h 30min às 19h 30min.

E venha dançar o rock e perder (ou não) seus documentos também! Toda sexta, a partir das 23:55.




terça-feira, 9 de agosto de 2011

Mokoi Tekoá Petei Jeguatá – Duas aldeias, uma caminhada


Quarta-feira, às 14h, o DCE da UFSM e o Gapin (Grupo de Apoio aos Povos Indígenas) exibem o filme Mokoi Tekoá Petei Jeguatá – Duas aldeias, uma caminhada, do cineasta indígena Ariel Ortega, convidado para o espaço. A exibição acontece no Teatro Caixa Preta, anexo ao Prédio 40, do Centro de Artes e Letras (CAL), no campus da UFSM em Camobi.

Mokoi Tekoá Petei Jeguatá – Duas aldeias, uma caminhada faz parte do Projeto Vídeo nas Aldeias. No filme, três jovens guaranis acompanham o cotidiano de duas comunidades indígenas Mbya-Guarani, que dependem da venda de artesanato. O Vídeo nas Aldeias é um dos primeiros projetos de produção audiovisual indígena no Brasil, e tem o objetivo de apoiar a lutar dos povos e fortalecer identidades.


Para saber mais acesse:

Cartilha em comemoração aos 5 anos da Lei Maria da Penha




Para acessar a Cartilha clique AQUI.


Em comemoração ao quinto aniversário da Lei Maria da Penha, a Defensoria Pública de SP lança na próxima segunda-feira (8/8) a cartilha informativa “Lei Maria da Penha: sua vida recomeça quando a violência termina”. O material foi elaborado a partir das principais dúvidas e informações disponibilizadas no atendimento especializado da instituição às mulheres vítimas de violência doméstica. A tiragem inicial conta com 50 mil exemplares e a íntegra está também disponível na internet.

Além de contar com informações práticas sobre órgãos públicos e locais de atendimento, a cartilha explica em linguagem acessível os direitos e aspectos da legislação (veja trechos abaixo).

Segundo dados da pesquisa “Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil”, realizada pelo Instituto Avon/Ipsos, entre janeiro e fevereiro de 2011, 94% das pessoas conhecem a Lei Maria da Penha, mas apenas 13% sabem seu conteúdo. A cartilha desenvolvida pela Defensoria Pública pretende informar a população sobre os avanços trazidos pela legislação, contendo os principais tópicos da lei e espaço voltado às perguntas e respostas com dúvidas mais freqüentes, além de guia com serviços e entidades de atendimento às mulheres vítimas de violência.

Para a Defensora Pública Thais Nader, que coordena o Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria, a Lei Maria da Penha trouxe diversos avanços ao combate à violência doméstica. “Após a sanção da lei, as mulheres tiveram conhecimento de mecanismos legais que as protegem da violência doméstica. Também houve aumento na adoção de políticas publicas voltadas ao atendimento da mulher, o que é muito salutar”, disse.

A Defensora também menciona pontos de potenciais avanços. “Ainda é preciso investir na capacitação dos profissionais que atendem as mulheres vítimas de violência e também em estrutura nas delegacias especializadas na área. São necessários mais juizados especiais voltados para a violência doméstica, além de casas onde as elas ficam de passagem enquanto aguardam providências para sua proteção”, entende Thais.

O lançamento oficial da cartilha ocorrerá durante a abertura do 1º Congresso Nacional sobre a atuação da Defensoria Pública na Educação em Direitos. O evento acontece entre os dias 8 e 12 de agosto no Edifício Sede da Defensoria Pública de SP, na Rua Boa Vista, 200, no centro da Capital.

Trechos da cartilha

“Violência doméstica não é apenas física. A Lei Maria da Penha também pune toda agressão psicológica, moral, sexual e patrimonial”.

“Essa violência acontece no espaço de convívio de pessoas que são ou se consideram aparentadas (…). Não importa qual seja a orientação sexual da pessoa. Ou seja, uma mulher também pode ser punida por agredir outra mulher”.

“Há diversas situações que servem de exemplos: o caso do ex-namorado que começa a perseguir a antiga companheira por não concordar com o fim da relação, de marido que humilha a esposa e a obriga a manter relações sexuais contra a sua vontade; da irmã que constantemente agride outra irmã ou de um pai que faz chantagens e violência psicológica contra sua filha”.

“Sair de casa em casos de violência doméstica não é abandono de lar”

“Medidas que podem ser aplicadas contra o agressor: Afastamento do lar; proibição de aproximação ou o contato por qualquer meio de comunicação com a ofendida, seus familiares e testemunhas; Proibição de freqüentar determinados lugares; Restrição ou suspensão das visitas aos filhos menores; Prestação de alimentos (pensão) provisórios; Restrição ou suspensão da posse de armas”

“Medidas que podem ser aplicadas em favor das mulheres: Encaminhamento para programas de proteção e atendimento; Determinar a separação de corpos ou afastamento do lar sem prejuízo de direitos relativos à guarda de filhos, alimentos e partilhas de bens; medida de proteção do patrimônio, como restituição de bens subtraídos pelo agressor, proibição de celebração de contratos relativos aos bens do casal, suspensão de procurações assinadas pela ofendida, entre outras”.

Dados Nacionais

Estudo do Senado Federal aponta que 66% das brasileiras acham que a violência doméstica e familiar contra as mulheres aumentou, mas 60% acreditam que a proteção contra este tipo de agressão melhorou após a criação da Lei Maria da Penha. Já a pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado, realizada em 2010 pelo SESC e Fundação Perseu Abramo, uma em cada cinco mulheres consideram já ter sofrido algum tipo de violência de parte de algum homem. O parceiro (marido ou namorado) é o responsável por mais 80% das agressões.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Calourada discute abertura dos arquivos da Ditadura

A luta pelo direito à memória e à verdade será discutida na Calourada organizada pelo DCE da UFSM. Os professores José Luiz de Moura Filho (Coordenador do Curso de Direito da UFSM), Diorge Alceno Konrad (Chefe do Departamento de História da UFSM) e Glaucia Konrad (Professora do Departamento de Documentação da UFSM) discutem a Abertura dos Arquivos da Ditadura Militar, na terça-feira (09), às 19h, no Auditório do Práxis, localizado no prédio de Apoio da UFSM (Antigo HUSM).

Veja o vídeo da Campanha pela Memória e pela Verdade, da OAB do Rio de Janeiro.

Assistência Estudantil é tema de debate na Calourada

Mesa de debate sobre a assistência estudantil abre a Semana da Calourada, nesta terça-feira, às 14h, na União Universitária. Para o debate, representantes do DCE, das diretorias da CEU I e da CEU II e a Assistente Social Aline Kowalski, funcionária da UFSM e doutoranda em Serviço Social na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

O segundo semestre de 2011 é essencial para o aperfeiçoamento da Assistência Estudantil na UFSM, por decisão do Conselho Universitário (Consu), após forte pressão da Bancada Estudantil, neste semestre será discutido a criação Núcleo de Atenção ao Estudante (NAE), proposto pela PRAE (Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis), mas que no entendimento do Consu carece de discussão com os estudantes.

A UFSM tem um dos maiores programas de Assistência Estudantil do país. No debate na Semana da Calourada, que tem como título Assistência Estudantil: Favor ou Direito?, será discutida a concepção da Assistência. O espaço serve também para divulgar e esclarecer aos estudantes em relação à Assistência Estudantil na UFSM.


Links:

Acesso Livre a uma Universidade Livre - Por uma UFSM de todas as Tribos





domingo, 7 de agosto de 2011

Programação Semana da Calourada



Terça-feira:
14h
Assistência Estudantil: Favor ou Direito?
Representantes DCE, CEU1, CEU2 e Aline Kowalski – Assistente Social
Local: União Universitária – em cima do RU

19h
Abertura dos Arquivos da Ditadura: direito à memória e à verdade
Dioge Konrad (História), Glaucia Konrad (Arquivologia) e José Luiz Moura Filho (Direito)
Local: Auditório do Práxis. Prédio de Apoio (Antigo HUSM)

Quarta-feira

14h
Filme: Mokoi Tekoá Petei Jeguatá
Com a participação do cineasta guarani Ariel Ortega. Organização GAPIN
Local: Teatro Caixa Preta (Anexo ao prédio 40, Centro de Artes e Letras)

19h
Oficina: Dia do orgulho heterossexual?
Ney de Ogum, Gustavo Lopes Silva (DCE UFSM e Coletivo Afronta) e Flávinha Manda Rima (Co-Rap)
Local: Auditório Práxis – Prédio de Apoio (Antigo HUSM)

Quinta-feira

14h
Transporte Público: Não somos Sardinhas!
Cristiano Schumacher - Representante do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Diego Pitirini - representante do DCE UFSM no CMT, Alberto Wolle representante da UFSM no CMT
Local: União Universitária

16h
Educação Universitária Pública Popular, Multicultural e Pluriétnica
Com representantes Kaingang e Guarani e do GAPIN (Grupo de Apoio aos Povos Indígenas)
Local: Salão Imembuí - 2° andar do Prédio da Reitoria

19h
A Guerra às Drogas falhou. E agora?
Guilherme Corrêa (professor da UFSM) e Coletivo Verde
Local: Auditório do Práxis - Prédio de Apoio (antigo HUSM)

Sexta-feira

14h
Ações Afirmativas: Muito além das cotas
Gapin e Afronta
Local: União Universitária

20h
Peça: Um Sorriso Negro
Companhia AfroCena. Organização Afronta.
Local: Teatro Caixa Preta (Anexo ao prédio 40, Centro de Artes e Letras)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O veneno está na mesa

Entrevista disponível na Caros Amigos, como o cineasta Silvio Tendler. Confira a íntegra do documentário O Veneno está na mesa.

Por Raquel Júnia, para a EPSJV/Fiocruz

No dia 25 de julho, foi lançado no Rio de Janeiro o documentário "O Veneno está na Mesa", de Silvio Tendler. Em cerca de 60 minutos, o filme mostra como o país facilita o consumo dos agrotóxicos e como movimentos sociais e setores do próprio governo como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Nacional do Câncer (Inca) têm tentado, de formas distintas, alertar sobre o problema.








Com entrevistas de trabalhadores rurais, pesquisadores da área da saúde e diversos dados e informações inéditas, o documentário denuncia casos de contaminação pelo uso de agrotóxicos, inclusive com a morte de um trabalhador, e mostra como é possível estabelecer outro modelo de produção sem o uso de venenos, baseado na agroecologia. Em estreia lotada, com a presença de mais de 700 pessoas, Silvio Tendler pede que o filme circule por todo o país. Como as cópias não serão vendidas, ele autoriza as pessoas a reproduzirem o documentário para que o sinal de alerta chegue a todos os cantos do país e anuncia que em breve o filme também estará disponível na internet. Confira a entrevista concedida à EPSJV/Fiocruz.


O filme foi construído em constante diálogo com movimentos sociais. Essa experiência foi diferente dos outros filmes?

Do ponto de vista da produção é o primeiro trabalho junto com os movimentos sociais, mas do ponto de vista da difusão, não. Meus filmes sempre estiveram vinculados aos movimentos sociais - eu filmei a inauguração da Escola Nacional Florestan Fernandes [Enff/MST], projetei meus filmes lá. Eu circulo por esse país apresentando os filmes aos movimentos sociais, então, sempre tive essa vinculação. A produção de um trabalho em conjunto, que para mim é uma coisa muito honrosa, é a primeira vez. E eu acho até que é o resultado natural do processo. Depois de fazer tantas coisas juntos, é normal que a gente pense em fazer um filme juntos. No caso do filme sobre os agrotóxicos, acho que foi um casamento natural que ‘juntou a fome com a vontade de comer'. Há uns dois anos eu estive no Uruguai e conversei com o [escritor] Eduardo Galeano, aí ele me falou que o Brasil é o país que mais usava agrotóxicos. Ele disse isso com uma certa tristeza por ser o Brasil, e, sobretudo, pelas circunstâncias políticas que nós vivemos. Aí eu voltei para o Brasil com a ideia de fazer alguma coisa sobre os agrotóxicos. Pensei em fazer uns spots para colocar no Youtube, conversei sobre isso com o [João Pedro] Stedile [coordenador nacional do MST] e ele deu força, então começamos a conversar. Um dia ele falou: ‘Olha, está surgindo um movimento muito forte contra os agrotóxicos e eu acho que dá para juntar com aquela sua ideia do filme'. Desse casamento, nasceu ‘O veneno está na mesa'.

A expectativa que você tinha antes de ir a campo realizar as filmagens e entrevistas se confirmou durante o processo?

O documentário sempre supera as expectativas. Sempre a realidade é mais forte do que a ficção. Eu sou documentarista por isso, porque acho que a realidade é muito forte. Em primeiro lugar pudemos ver que o veneno contido nos agrotóxicos não é um fato teórico, é uma realidade muito dura e muito difícil, mais dramática do que eu imaginava. E segundo que o trabalho e a luta das pessoas que reagem e enfrentam também é muito difícil, então, nesse sentido, é um filme mais completo do que o meu imaginário e muito mais forte. Eu estou muito feliz por estar fazendo esse filme.

Quanto tempo durou o processo de filmagem?

Uns seis meses. Começamos no final do ano passado. Fizemos com muito pouco recurso, é um filme muito barato para o que ele é. Fizemos filmagens em Porto Alegre, Ceará, Espírito Santo, envolvemos muita gente, fizemos tudo com muito carinho, com a maior qualidade. Temos três grandes atores narrando o filme - Julia Lemmertz, Caco Ciocler e Dira Paes - além de um diretor de teatro que é um ícone para essa garotada, que é o Amir Haddad. Então, temos um produto com um baita acabamento e muito pouca grana. Muito mais barato do que essa campanha que está no ar hoje de defesa do agrotóxico [a campanha Sou Agro]. A diferença é que fizemos com paixão e com carinho, e não com grana.

Diante dessa forte propaganda do agronegócio em defesa do modelo de produção que utiliza agrotóxicos, o que você espera da difusão do filme?

Eu espero esse entusiasmo da juventude, da militância. Na verdade, esse é um filme que de uma outra forma eficaz combate a pirataria, porque na verdade as cópias serão dadas e não vendidas, então, ninguém vai comprar. O filme segue com o selo "copie e distribua", e eu espero que essa forma de a gente trabalhar funcione, por exemplo, como a eficácia de um blog na internet, pelo qual as pessoas se informam. Esse filme, de uma certa maneira, é um blog em forma de DVD, que será distribuído, vai circular, as pessoas vão assistir e vão criar um movimento de consciência de que realmente o agrotóxico é uma coisa muito ruim para todo mundo. A mensagem é que nós podemos construir uma agricultura sem agrotóxicos. Que, a partir do momento em que a sociedade se organiza e se mobiliza, nós podemos começar a pensar na vida sem agrotóxico, pensar num outro projeto de vida que a gente quer fazer. E essa mudança em relação aos agrotóxicos pode funcionar daqui para frente em relação a tudo o que queremos da vida.