domingo, 21 de setembro de 2014

DCE e DAESA convocam demais entidades estudantis para discutir o Ciência Sem Fronteiras

UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
UNIAO ESTADUAL DOS ESTUDANTES LIVRE - DR JUCA
DIRETORIO CENTRAL DOS ESTUDANTES


Santa Maria, 21 de setembro de 2014.
Convocatória s/n. 


O Diretório Central dos Estuantes em conjunto com o Diretório da Eng. Sanitária e Ambiental (DAESA) convoca à todos os Diretórios Acadêmicos dos cursos que integram o Programa Ciência Sem Fronteiras (CSF) a participarem de uma reunião nesta quarta-feira, dia 24/09, às 17:30hs no hall do CT  a respeito do novo edital interno ao CSF. 

Um dos pontos preocupantes no novo edital  é onde diz que o aluno poderá ter no máximo 3 reprovações, sendo duas por nota e uma por frequência (podendo ter duas já recuperadas, nos comentários está a retificação). Sabemos que este é um ponto que pode vir a prejudicar estudantes interessados em participar do CSF, pois sabemos que são poucos os  estudantes que conseguem atingir essa média. 

Acreditamos que devemos debater este e os demais pontos do edital do Programa Ciência Sem Fronteiras, para que este seja algo que comtemple a realidade dos estudantes e não seja baseado em principíos puramente meritocráticos. 

Contamos com a presença de todos.

DCE UFSM - Gestão É Tempo de Avançar                 DAESA - Gestão Capitão Planeta

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

CONVOCATÓRIA: Conselho de Entidades de Base

UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES
UNIÃO ESTADUAL DOS ESTUDANTES LIVRE – DR. JUCA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES
GESTÃO É TEMPO DE AVANÇAR


Convocatória


Conselho de Entidades de Base



É com grande satisfação que convocamos os Centros e Diretórios Acadêmicos e as Direções das Casas do Estudante da UFSM para o Conselho de Entidades de Base(CEB) a ser realizado no dia 04 de setembro, às 19:00, no Auditório do DCE (térreo da Casa do Estudante do centro).


Pautas:

- Informes;
- Recurso encaminhado ao CEB a respeito da eleição do Diretório Acadêmico da Filosofia;
- Estatuinte;
- Avaliação Institucional;
- EBSERH.


Atenciosamente,

DCE UFSM - Gestão É Tempo de Avançar

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Entidades encaminham pedido para criação de Comissão da Verdade na UFSM

Foto: SEDUFSM

Na última quinta, 28 de agosto de 2014, rememoramos 35 anos da Lei de Anistia. Nesta data tão simbólica, nós do Diretório Central dos Estudantes, juntamente com a ASSUFSM, SEDUFSM e o Comitê santa-mariense pelo Direito à Memória, Verdade e Justiça encaminhamos uma importante ação na busca de conhecermos a nossa história e construirmos uma real democracia em nosso país.
Pela manhã encaminhamos à administração central da UFSM um pedido de criação de uma Sindicância para verificar onde estão os documentos da extinta Assessoria de Segurança e Informações  –  ASI, braço civil  do sistema de informações da Ditadura, que atuava em várias instituições públicas – não só universidades.  Nesse esforço também propomos a criação de uma Comissão da Verdade da UFSM dotada de autonomia e independência, destinada a examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos ocorridas durante a Ditadura Civil-Militar, entre 31 de março de 1964 e 15 de março de 1985. Vários atos que feriram tais direitos foram, nesse período, praticados contra docentes, alunos e funcionários técnico-administrativos da UFSM, bem como contra outros indivíduos não vinculados formalmente a seus quadros. Por fim, ainda encaminhamos uma ação junto ao Ministério Público Federal a fim de recuperar a documentação que se refere às ações da Ditadura Civil-Militar em Santa Maria.
Sabe-se que a ASI da Universidade Federal de Santa Maria era uma das mais atuantes do país e esteve entre as últimas a serem extintas, tendo funcionado até os primeiros anos da década de 1980. Todavia, após pedido de acesso à tais documentos, realizado pelo  Comitê da Verdade no ano passado, se respondeu que  “a documentação referente à extinta Assessoria de Segurança e Informações não consta nos Fundos Documentais recolhidos e custodiados pelo Departamento de Arquivo Geral (DAG).”
Em que pese tal resposta da Instituição, é direito – assegurado  constitucionalmente  –  da comunidade acadêmica e de toda a sociedade  santa-mariense e brasileira  ter  o devido acesso às informações históricas  guardadas pela  universidade, para que se possa ter  o conhecimento da verdade dos fatos ocorridos no âmbito da UFSM, no período da Ditadura, e exercer o direito à memória e  ao não esquecimento  do passado, com vistas à não repetição  das violações aos direitos humanos que marcaram a nossa História.
Foi com este objetivo que diversas universidades brasileiras  criaram  e puseram em funcionamento, nos últimos anos,  suas próprias Comissões da Verdade. Cite-se  apenas como exemplos a criação de Comissões da  Verdade pelas seguintes universidades brasileiras: UFBA, UFC, UECE, PUC-SP, USP, UNESP e Unicamp.
Os trabalhos de uma comissão da verdade não são importantes somente para as vítimas da ditadura, que ganham voz através dela, mas para a sociedade de modo geral, que passa a ter novos elementos para avaliar de forma crítica aquele período e os episódios a  ele relacionados.  É preciso lembrar que o terrorismo de Estado perpetrado no período ditatorial não atingiu somente os adversários do regime militar, mas a sociedade em geral, por intermédio principalmente do espalhamento do medo.
O papel da UFSM com  uma  Comissão da Verdade será o de contribuir para recuperar o sentido de democracia no país.  Uma comissão da verdade não tem o poder de punir aqueles que cometeram arbitrariedades e violaram os direitos humanos. Entretanto, ela tem a capacidade de fazer emergir os fatos que têm sido ocultados da sociedade.
Os trabalhos de uma  Comissão da Verdade na UFSM  contribuirão  para apurar não somente eventuais atos de arbitrariedade cometidos durante a ditadura militar contra docentes, alunos e funcionários da instituição, mas  também para a formulação de políticas públicas contra novas violações dos direitos humanos no Brasil.  Uma das contribuições poderá ser  a apresentação de um relatório com as conclusões do trabalho, que  deverá ser  amplamente divulgado para a sociedade.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Semana da Calourada 2014/2


PROGRAMAÇÃO - SEMANA DA CALOURADA 2014/2



quarta-feira, 23 de julho de 2014

Secretaria de Cultura nega apoio ao Festival Nossas Expressões

O Festival Nossas Expressões deste ano traz o tema “como você se expressa na Cidade Cultura?” como uma forma de questionar quais os meios e espaços públicos que a comunidade de Santa Maria pode utilizar para promover cultura e integração. 

Sabemos da riqueza cultural de Santa Maria e da valiosa cena musical. Quanto a esta, evidencia-se ainda mais o papel histórico do Nossas Expressões para impulsionar as bandas que estão iniciando o seu trabalho, assim como funcionava a própria Boate do DCE.

No entanto, apesar da importância política, histórica e cultural do Festival Nossas Expressões para a cidade, depois de termos a Praça Saldanha Marinho negada pela Prefeitura, obtivemos a seguinte resposta da Secretaria de Cultura, “cedendo-nos” o espaço da Gare, mas nos negando o acesso à energia elétrica e aos banheiros.

Ou seja, qual o apoio da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Santa Maria aos eventos culturais públicos da cidade?


terça-feira, 1 de julho de 2014

CEB repudia decisão judicial que retomou vestibular na ufsm



Em 22 de maio deste ano, o Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão da UFSM, entidade máxima para decisões internas da Instituição, adotou o Sistema de Seleção Unificada (SiSU) como única forma de ingresso nos cursos de graduação de ensino superior, extinguindo o vestibular a partir de 2014. Diante disso, uma ação jurídica proposta pela Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Santa Maria (CACISM), pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Santa Maria (CDL/SM), pelo Sindicado dos Lojistas do Comércio de Santa Maria (SINDILOJAS/SM) e pela União Santamariense dos Estudantes (USE) solicitou a nulidade da decisão do referido conselho, tendo conquistado êxito na primeira instância.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

NOTA DCE/UFSM FRENTE DECISÃO JUDICIAL

Viemos a público externar nossa profunda discordância em relação a sentença decretada pelo juiz Loraci Flores de Lima nesta terça-feira, dia 24 de junho de 2014. Tal sentença determina a volta do vestibular como método de ingresso e seleção à UFSM em 2014, contrariando a decisão tomada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) da UFSM no dia 22 de maio.


O processo, que dispunha sobre a alteração do modo de ingresso aos cursos de graduação da UFSM via sistema ENEM/SISU, ocorreu de modo absolutamente legítimo, uma vez que a decisão partiu de um debate previamente construído na comunidade acadêmica, não houve qualquer ilegalidade na tramitação e a decisão foi tomada num conselho superior de maneira democrática e legítima.



Cabe-nos, mais uma vez repudiar tal decisão judicial que vem no sentido claro de ferir a autonomia universitária de que gozam as universidades brasileiras e, infelizmente, privilegiar uma parcela das elites locais, que defendem unicamente seus os interesses econômicos e enxergam na UFSM uma instituição para manutenção de seus privilégios.



Seguiremos acompanhando o desenrolar jurídico deste caso e convocamos toda a comunidade de Santa Maria a manifestar seu repúdio e contrariedade a esta decisão que fere nitidamente a autonomia e a democracia dentro das universidades.

Em defesa da autonomia universitária, ingresso via 100% SISU!

Diretório Central dos Estudantes – DCE/UFSM - Gestão É Tempo de Avançar


terça-feira, 24 de junho de 2014

CONVOCATÓRIA - Conselho de Entidades de Base

UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES
UNIÃO ESTADUAL DOS ESTUDANTES LIVRE – DR. JUCA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
CONSELHO DE ENTIDADES DE BASE
DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES



CONVOCATÓRIA:


É com grande satisfação que o Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFSM) convoca todos os Centros e Diretórios Acadêmicos, assim como as Diretorias das CEU’s desta Universidade, a se fazerem presentes no próximo Conselho de Entidades de Base, que será realizado no dia 26 de junho, próxima quinta-feira, às 19h no Auditório do DCE – Centro (Rua Professor Braga, 79).


PAUTAS:

1) Informes;
2) Semana da Calourada (2º semestre);
3) Festival Nossas Expressões;
4) Jogos Universitários de Santa Maria (JUSM);
5) Andamento do processo Cotas/ENEM/SiSU em Santa Maria.


Atenciosamente,


Gestão 
"É Tempo de Avançar!"

terça-feira, 17 de junho de 2014

V Congresso Estudantil da UFSM

Nos dias 07 e 08 de junho a categoria estudantil da UFSM esteve reunida, pela primeira vez no campus de Frederico Westphalen, no 5º Congresso Estudantil da UFSM, com a participação de cerca de 120 estudantes inscritos. O encontro foi uma deliberação do Conselho de Entidades de Base – CEB, e a escolha do campus do CESNORS teve importante reconhecimento pelo caráter multicampi que a UFSM adquiriu a partir da sua expansão para outras regiões do Rio Grande do Sul e, a partir disso, também a expansão da representatividade das categorias e suas respectivas reivindicações.

O Congresso teve início com um debate temático acerca da conjuntura nacional e políticas educacionais, que contou com a presença do professor Jerônimo Tybusch, do curso de Direito e ex-primeiro-secretário da SEDUFSM; juntamente com Adriele Manjabosco, representando a UNE; e Felipe Costa, do DCE UFSM; onde foram abordadas as questões conjunturais do ensino superior no Brasil, e também das questões políticas, econômicas, e sociais relacionadas à educação.



Buscando um debate mais aprofundado sobre temas pertinentes aos estudantes, os grupos temáticos, que debateram oito eixos transversais da atuação do movimento estudantil hoje (juventude e cultura; saúde e meio ambiente; ações afirmativas; formação profissional e extensão universitária; política de drogas; gênero e sexualidade; assistência estudantil; e projeto de universidade), juntamente com os painéis paralelos sobre a reforma política, democratização da mídia e organização do CESNORS tiveram importantes encaminhamentos para a formulação das deliberações do Congresso.



No domingo pela manhã o debate foi sobre a necessidade de uma reforma estatuinte para transformar a estrutura da UFSM, um tema que tem sido pautado pela atual gestão da universidade desde a sua posse. O debate contou com a contribuição de Rodrigo Suñe, representando a UNE, Marcos Lazaretti, da União Estadual dos Estudantes Livre – Dr. Juca (UEE-Livre), e do professor Gianfábio Franco, diretor da SEDUFSM.



Na parte da tarde, a plenária final apresentou o texto de deliberações do congresso, onde os estudantes puderam compartilhar as ideias e as demandas que foram discutidas em cada um dos grupos temáticos, que resultou na aprovação de um documento final contendo as resoluções que guiarão as ações do movimento estudantil da UFSM nos próximos dois anos. Também foram apresentadas e votadas as moções redigidas pelos estudantes, juntamente com uma proposta de alteração do estatuto do DCE. A alteração foi apresentada e aprovada com o quórum mínimo de dois terços de votos, e trata do artigo 3º do capítulo 1.

Onde dizia:
“O DCE-UFSM é filiado à União Estadual dos Estudantes (UEE/RS) e à União Nacional dos Estudantes (UNE).”

Foi alterado para:
“O DCE-UFSM é filiado à União Estadual dos Estudantes Livre – Dr. Juca (UEE-Livre) e à União Nacional dos Estudantes (UNE).”

Confira as moções aprovadas aqui
O texto final das resoluções do V Congresso Estudantil aqui
E o estatuto do DCE UFSM aqui


O DCE UFSM agradece a todos que participaram do evento, e ressalta a importância da participação dos estudantes nos espaços decisórios da atuação do movimento estudantil. É a partir do debate e do diálogo que se consegue avançar rumo à UFSM que os estudantes querem.

DCE UFSM - Gestão É Tempo de Avançar!

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Convocatória para Jornada de Lutas

O Diretório Central dos Estudantes convoca a todas e todos estudantes para reunião organizativa da Jornada de Lutas pela Assistência Estudantil nesta segunda-feira, às 17hs na União Universitária, em cima do RU. 

O objetivo desta reunião é estarmos organizando as construção da Jornada de Lutas, encaminhada na última assembleia geral do campus de Santa Maria, no mês de maio. 

Nos dias 7 e 8 de junho foi realizado em Frederico Westphalen o 5º. Congresso Estudantil, onde a partir de um Grupo de Discussão sobre Assistência Estudantil, ficou apontado algumas lutas com relação a assistência estudantil:


• 2,5 bilhões para Assistência Estudantil;
• Ampliações e reformas imediatas das CEUs;
• Construção de lavanderias comunitárias nas CEUs;
• Construção e ampliação dos espaços de lazer nas CEUs;
• Pela construção de creches que atendam a demanda das mães e pais estudantes da UFSM;
• Ampliação em número e valor das bolsas formação;
• Construção de outros RUs e diminuição do preço das refeições;
• Integração do sistema dos RUs e implementação nos campi em que não houver, permitindo assim o acesso universal aos restaurantes universitários de todos os campi;
• Conversão Gradual das bolsas trabalho em bolsas de ensino, pesquisa e extensão, estando assim, verdadeiramente comprometida com a formação profissional dos estudantes;
• Pela criação de um espaço que contemple a questão da saúde nas CEUs;
• Por mais apoio pedagógico e psicossocial aos estudantes;
• Maior atenção da PRAE nos campi de Frederico, Palmeira, Silveira Martins e Cachoeira, com a criação de estruturas descentralizadas;
• Fim do limite das passagens de ônibus para os estudantes e subsídio de passagens para os estudantes que realizam seus estágios no serviço público;
• Aumento do auxílio pedagógico como materiais didáticos, bibliotecas, salas de informática e disponibilização de cursos de línguas gratuitos aos estudantes com BSE;
• Aumento de concursos públicos e fim da terceirização;
• Construção de um Orçamento Participativo para execução de recursos do PNAES;
• Aumento do número de linhas de ônibus nos campi.

Ressaltamos que as demandas estudantis são muitas e das mais diversas possíveis, por isso a participação de tod@s as entidades estudantis é imprescindível para a construção desta Jornada de Lutas. 

Aguardamos à todos nesta segunda-feira! 

Atenciosamente,

DCE UFSM - Gestão É Tempo de Avançar!


domingo, 8 de junho de 2014

“A universidade é uma porta trancada por dentro”. Como destrancar?

Em uma atividade conjunta a Pastoral da Juventude Rural (PJR) e o Blog Pautas da Juventude entrevistaram a galera do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (DCE UFSM) que relataram sobre a polêmica decisão de que o acesso a UFSM será de 50% por cotas para estudantes de escola pública e o ingresso 100% ENEM/SISU, acabando com o vestibular na Universidade.
Os estudantes e os coletivos estudantis que se organizam na UFSM foram uns dos protagonistas no debate, na articulação política e na defesa dessa proposta pelo fim do vestibular e a proposição de outra forma de acesso a universidade.
Em Santa Maria-RS esse vem sendo um debate corriqueiro nos últimos dias e que divide opiniões tanto na comunidade universitária como na cidade, pois os comerciantes e empresários historicamente tinham como um dos seus grandes eventos econômicos a realização do vestibular ao mesmo tempo em que os estudantes de escola pública pouco acessavam a universidade.
Isso pode reacender um importante debate em nossa sociedade: Universidade pra quê? E para quem?
Entre esse choque de gerações e interesses em Santa Maria a decisão de findar o vestibular na UFSM pode ser considerada histórica na proposição de mudança na forma de acesso a universidade pública.
Confiram a entrevista com a direção do DCE UFSM.   

PJR e Pautas da Juventude –  Como o Movimento Estudantil está participando do processo de lutas que culminou com a decisão do término do vestibular e a necessidade de outras formas de acesso ao ensino superior como SISU e Cotas na UFSM?

DCE UFSM - A luta pela democratização do acesso a universidade é histórica no movimento estudantil a nível nacional. Em Santa Maria não é diferente, desde 2010 o DCE já pautava o fim do vestibular, debatendo alternativas possíveis para o ingresso na UFSM.
Mesmo com a expansão da universidade pública nos anos recentes, ainda hoje apenas 4% d@s jovens entre 18 – 24 anos estão nas universidades públicas, sendo que em torno de 10% encontram-se nas universidades privadas e comunitárias. Atualmente 85,4% d@s estudantes da educação básica estão matriculados em escolas públicas, se invertendo esta relação no ensino superior, em que do total de 5.95 milhões de estudantes, apenas 1,52 milhão provém de escolas públicas. O que explica esta inversão?
É acreditando que precisamos democratizar o acesso à universidade pública para tod@s que historicamente estiveram excluídos das universidades que o DCE da UFSM pautou em seu parecer no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão – CEPE – a aprovação ainda para este ano dos 50% de cotas para estudantes de escola pública e o ingresso 100% ENEM/SISU, acabando com o vestibular da UFSM. Anterior à decisão do CEPE de adesão às cotas e ao SISU, @s integrantes do DCE, movimento negro e cursinhos pré-vestibulares populares de Santa Maria estiveram realizando debates em diversas escolas da cidade de Santa Maria para discutir o sistema de cotas e o ingresso na UFSM.
Percebemos que a ampla maioria d@s jovens que conversamos nas escolas fariam a prova do ENEM, entretanto, o mesmo não ocorria com a prova do vestibular. Diversas podem ser as causas desta realidade, podendo destacar a relação econômica, uma vez que para se inscrever no vestibular cada estudante teria que pagar 95 reais, enquanto a prova do ENEM é gratuita a tod@s @s estudantes do ensino médio, além disto, a prova do vestibular se tornava uma grande vantagem aos que tinham condições de acessar a rede de cursinhos pré-vestibulares e escolas privadas da cidade, o ENEM/SISU possibilita a tod@s estudantes e principalmente aos de  menores condições socioeconômicas da nossa região e da nossa própria cidade sonharem em entrar na Universidade Pública e Federal.
PJR e Pautas da Juventude – De que forma estão lidando com a repercussão da decisão no município de Santa Maria, seja diante de quem está se opondo à decisão, seja diante de quem está apoiando que o acesso deva ocorrer pelo SISU e pelo sistema de cotas na UFSM? 

DCE UFSM - Antes de tomarmos a decisão de propor 100% SISU, mesmo que tivéssemos fortes críticas ao vestibular, estávamos cientes de que, caso aprovado, desagradaríamos alguns estudantes (principalmente de escolas particulares e de cursinhos pré-vestibular), no entanto, a grande maioria dos estudantes se beneficiariam com a ampliação das cotas e o novo modelo de ingresso SISU (hoje no estado, cerca de 85% dos estudantes de ensino médio estão matriculados em escolas públicas). No entanto, a reação maior foi do empresariado local.
Santa Maria é uma cidade com muita história, já foi até um centro ferroviário do estado. Nas últimas décadas tem se consolidado como cidade universitária (na cidade de quase uma dezena de IES, sendo a UFSM a maior delas). Também é uma cidade militar, possui o 2º maior contingente militar do país, muito por conta da sua privilegiada localização geográfica, centro do estado e cercada por morros. As Universidades e os Quartéis atraem muita gente da região, em sua grande maioria jovens. Na cidade também habita muitos aposentados e servidores públicos.
Essas características populacionais servem para entender a composição social de Santa Maria, como praticamente não há indústrias, a economia gira basicamente em torno do setor de comércio e de serviços.
A burguesia local então é composta por donos de lojas, imobiliárias, hotéis, restaurantes, empresas de transporte, casas noturnas, colégios particulares e cursinhos. Os clientes prediletos são os jovens universitários, militares, professores, aposentados e os próprios trabalhadores destes setores.
Acostumados a exercerem a maioria política e decidir sobre quaisquer assuntos que envolvessem seus lucros, sentíram-se traídos quando a Universidade decidiu levar em conta questões de maior relevância que os interesses econômicos deste setor e da “indústria” que o vestibular movimentava. Para além da questão econômica, a redução de privilégios também incomodou. Apesar de as cotas socias e racias já existirem na UFSM desde 2007 – talvez a medida mais forte de cunho ideológico – a ampliação para 50% ficou engasgada no discurso e simplesmente era evitada. Sob o discurso de contrariedade a “forma como se deram as decisões”, escondia-se todo um recalque por ver negros, pobres e indígenas entrando num espaço que historicamente foi dominado pela elite. E que em grande parte ainda é, por isso a importância do povo entrar e transformá-la para servir à redução das desigualdades e transformação da sociedade. No entanto, a burguesia resiste e revida.
Desde o dia do CEPE (22/05) que decidiu pelo fim do vestibular e pela ampliação das cotas, a burguesia da cidade iniciou uma campanha de difamação da Universidade. Utilizando-se dos meios de que dispõe: televisão, rádios, jornais impressos, entidades empresariais, sindicatos patronais e até o prefeito, convocou ato “contra a forma como foi extinta o vestibular”, contando inclusive com liberação de turma de cursinho. No dia do ato, estudantes e movimentos sociais organizaram um contra-ato no ponto final da marcha dos empresários, pois terminava justamente em frente à Universidade (na antiga reitoria). Com faixas em defesa das cotas “Zumbi Vive, UFSM vai virar Palmares” e cartazes expondo dados sobre a realidade educação brasileira (85% das matriculas de estudantes de ensino médio são de escola pública), foi possível gerar algumas dúvidas e contradições naquele movimento reacionário. Boa parte dos estudantes de cursinhos achavam no mínimo estranho o que estava acontecendo, afinal, eram empresários em cima do carro de som fazendo as falas, e os poucos estudantes que lá falaram na verdade eram gente nossa que conseguiu subir no carro para escancarar ainda mais as contradições dos interesses $ociais do empresariado.
Aproveitando a vinculação que construímos com as escolas públicas de ensino médio no período pré-CEPE, depois do conselho voltamos à passar nas escolas públicas explicando pra galera o que significavam as recentes decisões tomadas na universidade, tirando dúvidas sobre o SiSU, sobre o ENEM e sobre as Cotas. Junto à essas passadas mobilizamos os estudantes de escola pública, grande maioria dos estudantes de ensino-médio, a saírem pras ruas em defesa da democratização do acesso à UFSM, para mostrar que os estudantes tem lado, o dos excluídos, do povo do trabalhador… Convidamos todos a participar da II Marcha pela Educação Pública que ocorreu quarta, as 10h. Logo após a marcha houve também uma aula pública na praça para conversar sobre Cotas e SISU na UFSM com os estudantes secundaristas e com a população em geral. No geral foi muito boa, a mensagem foi passada para aqueles que a cidade realmente pertence, os trabalhadores e os estudantes. Aos empresários coube o veemente repúdio, para que nunca mais ousem falar em nome da educação e em nome dos estudantes.
Construíram a marcha e muitas das atividades: DCE, CUT, Levante, Juventude do PT, Juntos, CUT, Cursinhos pré-vestibulares gratuitos e populares (Alternativa e Práxis), coletivos negros e movimentos sociais.
PJR e Pautas da Juventude – Como vocês acham que a decisão de não ter mais vestibular vai favorecer as pessoas com menor condição econômica, afrodescendentes, indígenas e os estudantes das escolas públicas regionalmente?

DCE UFSM - O vestibular tratava-se de um método de ingresso que beneficiava,
com a reserva de vagas, um perfil quase exclusivo de estudantes que tinham condições de pagar pelo menos 300 reais mensais ao setor privado de ensino no município, e isso era ainda mais evidente nos cursos de maior concorrência da universidade, tornando o vestibular um refém do setor empresarial da cidade, tanto pelo evento de três dias de prova que movimentava o comércio, quanto pelo conteúdo que alimentava a rede de cursinhos pré-vestibulares pagos e outras instituições privadas de educação da região, que não eram acessíveis à imensa parcela da população.
Com a extinção do vestibular, o SiSU surge como novo modelo de ingresso da UFSM, sendo avaliada através prova do ENEM, que por sua vez é vinculada ao ensino médio das escolas públicas, e tem em si o papel de avaliar e melhorar o ensino público. Em decorrência disso, as escolas públicas podem desenvolver o plano pedagógico sem estar à mercê da estrutura dos conteúdos do vestibular.
Diferente do vestibular, que atingia uma parcela muito seleta da população, o ENEM é realizado por 80% de estudantes da região. A Universidade Pública se tornará cada vez mais plural e deverá ter a função de enfrentar as desigualdades sociais e de contribuir de fato no desenvolvimento regional. Tais desafios tem seu início na democratização de seu acesso, aproximando a universidade das questões sociais locais, rompendo com os setores de interesses privados e servindo as demandas reais de nossa região.
A partir deste novo período, os estudantes que não possuem condições de pagar cursinhos e adquirir a educação mercantilizada que é propagandeada nas mais diversas esferas “de preparação para o vestibular”, terão maiores perspectivas de acessar a universidade.

PJR e Pautas da Juventude – De que maneira o acesso à Universidade pública pelo SISU e pelo sistema de cotas pode beneficiar a juventude rural, jovens dos povos e comunidades tradicionais no Brasil?

DCE UFSM - O sistema de seleção unificado (Sisu) se utiliza da nota do ENEM, uma prova de âmbito nacional que tem uma abrangência maior, ou seja, é uma prova com um acesso muito mais democrático por ser feito em todo o país. Além disso, ela tem uma forma bem diferenciada de testar os conhecimentos e cobrar o conteúdo, diferente dos vestibulares tradicionais, favorecendo também os jovens do meio rural e de povos e comunidades tradicionais, que na maioria das vezes não tem um aporte financeiro para pagar um cursinho preparatório ao vestibular.
A lei 12.711/2012, que implementa o sistema de Ações Afirmativas, foi uma grande conquista dos movimentos sociais que sempre lutaram pela democratização do acesso ao ensino superior. Através da ampliação do acesso para estudantes oriundos de escolas públicas, amplia-se a possibilidade de entrada de jovens rurais, povos e comunidades tradicionais, que majoritariamente estudam em escolas públicas e se enquadram na faixa de renda para a reserva de vagas sociais. Existem ainda, a reserva de vagas étnico-raciais para os povos e comunidades tradicionais.
Dessa maneira, o Sisu e a política de ações afirmativas impulsionam a entrada na universidade de setores da sociedade que historicamente estiveram excluídas do ensino superior. A longo prazo, essas medidas causarão uma transformação da universidade por mudar e diversificar o perfil dos estudantes, trazendo novas demandas e perspectivas de sociedade.
PJR e Pautas da Juventude -Na opinião de vocês como a Universidade pública no Brasil pode estar mais acessível ao conjunto da população brasileira e com uma agenda de ensino, pesquisa e extensão que auxilie na promoção da igualdade social no país?

DCE UFSM - A universidade, enquanto uma instituição social tem de estar diretamente relacionada à sociedade da qual faz parte, em sua realização e expressão. A universidade precisa ser avaliada, em seu ensino, pesquisa e extensão, em consideração sobre a situação do ensino básico. Pois, cabe, também, ao ensino superior a situação em que o primeiro se encontra.
Outro ponto, é que a avaliação acadêmica não pode mais ser refém de publicações e titulações. A competição por cargos não pode mais ocorrer nos moldes neoliberais, utilizando-se de critérios quantitativos de produções. A universidade precisar prestar serviços à comunidade, desenvolvendo assim o seu caráter regional, tanto na extensão, quanto na pesquisa. Dessa forma, há que se barrar a ideia de modernização pela privatização e terceirização das atividades universitárias, e a sua prestação de serviços a setores privados.
Em relação ao ensino, a separação entre docência e pesquisa não pode funcionar a partir de graus hierárquicos, em que a graduação é reduzida. O fortalecimento da graduação é necessário a partir do aumento das informações, da carga bibliográfica, de trabalhos em campo, da reflexão e da produção do conhecimento, em conjunto com a comunidade. A verdadeira formação universitária não pode se dar apenas na pós-graduação.
Sobre a pesquisa e a extensão, ambos os processos precisam ter papel público no trabalho e na investigação, voltando-se às necessidades da sociedade. É preciso romper os laços da universidade pública com financiamentos privados, e recuperar a sua autonomia para definir as prioridades universitárias.
PJR e Pautas da Juventude – A partir dessa decisão histórica na UFSM para a universidade pública no Brasil, em meio às resistências enfrentadas em Santa Maria, qual recado vocês deixam para quem está na luta por um ensino universal em todos os níveis que seja público, gratuito e de qualidade?

DCE UFSM - Primeiramente, que a luta pela educação vale a pena. Lutar por uma educação pública de qualidade neste país não é algo simples, mas que vale a pena quando vemos que é a partir desta luta diária que conseguimos grandes transformações. “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, tão pouco a sociedade muda sem ela”, já observou tão apropriadamente Paulo Freire e é a isso que nos dedicamos, a construção de uma educação pública de qualidade, na qual os estudantes sejam sujeitos de transformação no mundo.

domingo, 25 de maio de 2014

A democratização do acesso à UFSM: porque defendemos as Cotas e o SiSU

Na manhã desta quinta-feira, dia 22 de maio, a UFSM debateu no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) as formas de ingresso à universidade para o ano de 2015. Nesta discussão foram aprovados dois pontos de suma importância: o primeiro deles se trata da regulamentação da Lei 12.711 (Lei de Cotas) e o segundo quanto a instituição de 100% das vagas via SiSU (Sistema de Seleção Unificada).

Na UFSM já tínhamos 40% de cotas desde 2007, antes mesmo da Lei de Cotas (Lei 12.711), porém, passados quase 7 anos, somente agora em 2014, com incentivo da lei, conseguimos avançar para 50%. Essa é uma vitória importante, pois assegura o direito ao ingresso na universidade para estudantes de escolas públicas com recorte étnico-racial e de renda. Alertamos, no entanto, que 50% não é suficiente. Enquanto estudantes de escolas públicas, negros e negras, indígenas, portadores de necessidades especiais forem minoria no ensino superior defenderemos as políticas de inclusão.

Vivemos num país em que 85,4% dos estudantes da educação básica estão matriculados em escolas públicas, se invertendo no ensino superior em que do total de 5.95 milhões de estudantes, apenas 1,52 milhão provém de escolas públicas. O que explica esta inversão?

O que explica um país onde a pobreza e a exclusão tem cor? O que explica o fato de conhecermos pouquíssimos médicos, advogados e engenheiros negros? O que explica no ensino médio e nas universidades o reduzidíssimo número de professores negros? O que explica termos ainda pouquíssimos negros nas salas de aula das universidades brasileiras?

São estas questões que as ações afirmativas vêm responder. São estas questões que as ações afirmativas visam solucionar.

No que se refere ao debate do acesso via SiSU, compreendemos como um grande avanço a aprovação ocorrida na sessão desta semana no CEPE. Agora a UFSM entra num circuito já composto por cerca de 80% das universidades federais brasileiras que aderiram ao SiSU como método de ingresso. No estado, das sete universidades federais existentes, seis já aderiram 100% via SiSU, são elas: UFPEL, FURG, UNIPAMPA, UFCSPA, UFFS e UFSM.

Alguns dados apontam que cerca de 80% dos estudantes do ensino médio no Brasil realizam a prova do ENEM. Diferentemente do extinto vestibular da UFSM que privilegiava os estudantes que tinham condições de acessar a rede de cursinhos pré-vestibulares e escolas privadas da cidade, o ENEM/SISU possibilita aos estudantes das camadas menos favorecidas da nossa região e da nossa própria cidade sonharem em entrar na Universidade Pública e Federal.

O vestibular como método de ingresso não demonstrou capacidade suficiente de democratização do acesso, nem de vincular a UFSM a um conjunto de demandas regionais e muito menos de qualificação do ensino médio. Em nossa opinião, pensar a regionalização da universidade vai muito além de se fazer perpetuar um método de ingresso que só serve como reserva de vagas para uma parcela da elite local e regional. Pensar a vinculação da universidade com o desenvolvimento regional significa abrir suas portas, democratizar seu acesso e contribuir com o enfrentamento das desigualdades sociais. Aproximar de fato a universidade da comunidade local e dos problemas reais da sociedade.

A grandeza da universidade e o papel que pode cumprir na sociedade não pode se resumir a suprir os interesses mesquinhos de um empresariado local, atrasado e dependente de um evento de 3 dias. Se Santa Maria até então está refém destes tipos de interesses, a UFSM hoje está rompendo com as correntes da tradição e da dominação desta elite local.

Entendemos que outros agentes interessados na manutenção do tradicional vestibular são os cursinhos pré-vestibulares. Estes são os reais inimigos dos estudantes porque reduzem a educação à capacidade de memorizar esquemas e resumos. Os cursinhos agora se quiserem seguir existindo terão que, ao menos, ensinar a interpretar. Ao mesmo tempo em que os estudantes que não tem tempo ou dinheiro para ficar decorando terão mais perspectivas de ingressar na universidade.

Quanto aos estudantes que se preparavam para prestar vestibular, acreditamos que estes devem refletir sobre o porquê do sistema  de seleção das universidades, porque ainda a universidade pública é um espaço para poucos. Defendemos um maior investimento na educação pública, sabendo que isso não impede a discussão sobre o papel da universidade e a democratização desta. Para além disso, reconhecemos a importância da implementação de um ingresso exclusivamente via SiSU para o desenvolvimento de uma educação pública de qualidade, uma vez que as escolas terão a possibilidade de trabalhar o plano pedagógico do ensino médio e não estarão mais arraigadas aos métodos e conteúdos impostos pelo processo do vestibular.
Por fim, afirmamos que desastre, senhor prefeito, é a mercantilização da educação. Desastre é o ensino fundamental público da cidade, em momentos como o da entrega da administração da escola Renato Zimerman ao Instituto Palloti, mostrando a ineficiência e ineficácia da atual gestão da prefeitura. Desastre ERA o processo do vestibular.

Nesse debate, nós do DCE/UFSM, já escolhemos o nosso lado: estamos do lado dos milhares de estudantes de Santa Maria e do Brasil, que concorrerão a uma vaga nessa universidade pública que historicamente privilegiou uma minoria através do processo seletivo e injusto do vestibular. Defendemos uma universidade pública, que seja de qualidade, democrática e popular.

DCE UFSM - Gestão É Tempo de Avançar

quinta-feira, 22 de maio de 2014

CEPE aprova 50% de cotas e ingresso 100% SISU na UFSM

Confira o parecer de vistas da conselheira Pamela Kenne, do Diretório Central dos Estudantes, referente a adesão da UFSM às cotas e ao processo de ingresso na UFSM pelo Sisu. O presente parecer foi aprovado nesta manhã pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) da universidade, extinguindo assim o vestibular da UFSM. 

P A R E C E R

que o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão aprove o seguinte posicionamento em relação aos itens propostos, quais sejam:

1. Cumprimento imediato da Lei 12.711/2012, em sua integralidade, compreendendo que o porcentual mínimo de reserva de vagas aos estudantes cotistas deverá ser de 50%.

Defendemos a implementação de cotas, não apenas em relação ao cumprimento da lei. As cotas tratam-se de uma medida por direitos e justiça. Em sua definição jurídica, de caráter objetivo e racional, tem o princípio da igualdade a ser atingido.

Sob a perspectiva dos direitos humanos, necessita-se ter sobre os sujeitos um olhar diferenciado, focado em sua particularidade contextual e histórica, com todas as suas especificações e peculiaridades, pois eles têm condições e oportunidades diferentes diante da realidade material. As ações afirmativas entram neste cenário com a sua compreensão de que o tratamento dos indivíduos de forma geral, genérica e abstrata fere o direito à diferença e à diversidade, garantido na constituição.
As Ações afirmativas tratam-se de medidas pontuais e temporárias com o objetivo de minimizar desigualdades sociais e históricas acumuladas. Elas garantem a equidade, que é tratar desigualmente àqueles que historicamente obtiveram oportunidades desiguais para que se chegue à igualdade de fato, e compensações a grupos que tiveram perdas, discriminações e marginalizações históricas.
A história que aqui se refere leva em conta um processo concreto por igualdade após um século de exclusão de minorias sociais do ensino superior, essencialmente os negros. Com 126 anos de abolição da escravidão, vive-se um período efervescente na luta por inclusão social e étnica.
As primeiras universidades a instituírem cotas, em 2002, foram a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), por meio de uma lei aprovada em 2001, na Assembleia Estadual do Rio de Janeiro. Logo em seguida, outras universidades passaram a aderir tais ações afirmativas.
Com legitimidade social e acadêmica, com afirmação da justiça, com os benefícios de tal projeto, propostas de ações afirmativas propagaram-se por todo território nacional. A repercussão positiva destas iniciativas demonstra a sua adequação em consonância aos ideais de justiça compartilhados amplamente por diversos setores na sociedade, que encontram nas ações afirmativas uma forma sólida e legítima de democratizar o acesso a camadas excluídas da população a um direito (o ensino superior) que historicamente esteve ao alcance de poucos.
2007 foi um ano de consolidação para as ações afirmativas como uma ação possível, profunda, comprometida e coerente com a democratização do ensino superior do Brasil. Neste ano 93 universidades já haviam aderido às cotas.
A UFSM está entre estas 93 universidades. Em 2007, a Universidade Federal de Santa Maria aderiu a 40% de cotas (resolução 011/07): 15% para afrobrasileiros; 5% para portadores de necessidades especiais, e 20% para oriundos de escolas públicas.
Seguiu-se a tal providência, em 2008, amplo investimento e desenvolvimento da Assistência Estudantil na UFSM, contando com ampliação de vagas na Casa do Estudante Universitário; ampliação do Restaurante Universitário; Bolsas formação; laboratórios de informática e línguas. Ações, estas, fundamentais para a permanência dos estudantes, que se segue ao acesso à universidade, principalmente quanto àqueles que ingressam por sistema de cotas.
Nos dados apresentados no relatório de atividades da PROGRAD, de 2008 a 2011, sobre as ações afirmativas, intitulado Programa de Ações Afirmativas de Inclusão Racial e Social, nota-se a redução porcentual do índice de evasão de estudantes cotistas da Universidade Federal de Santa Maria. Em 2008, o porcentual de evasão de estudantes que ingressaram via ação afirmativa C (reserva de vagas para estudantes oriundos de escolas públicas) era de 18,44%; em 2009 foi de 18,66%; já em 2010 se reduziu a 3,6%, e, em 2011, tínhamos 100% de alunos regulares não apenas na Cota C, mas também nas Ações Afirmativas A (Afrobrasileiros) e B (Portadores de Necessidades Especiais). Mostrando assim, que em 2011 não houve evasão de alunos cotistas, e que o índice de investimentos na permanência dos estudantes vem ocorrendo em paralelo com a democratização do acesso, colocando a UFSM como referência nacional em Assistência Estudantil.
Sobre o cenário da educação brasileira e sua influência no acesso à universidade:
De acordo com dados do Censo Escolar, de 2010, divulgados no MEC, 85,4% de estudantes matriculados na educação básica são oriundos de escolas públicas. No ensino médio há 8,3 milhões de estudantes matriculados, e, destes 8,3 milhões, 85% estão matriculados em rede pública.
No entanto, no ensino superior tem-se 5,95 milhões de estudantes matriculados, destes, 4,43 milhões provêm da rede privada e apenas 1,52 milhão provém de escolas públicas.
Portanto, afirma-se, sem hesitação: as universidades públicas não condizem com o retrato da maior parte da população e toda a sua diversidade.
Diante dos motivos apresentados, o item 1 deste parecer afirma a necessidade da implementação integral da Lei 12.711/2012, garantindo no mínimo 50% da reserva de vagas para estudantes de escolas públicas, como um avanço para esta Universidade, quanto à inclusão social, democratizando o seu acesso e impactando positivamente a sociedade.

2. Utilização do Sistema de Seleção Unificada (SISU) como a única forma ingresso na UFSM, aderindo 100% das vagas a este sistema de ingresso.

Defendemos neste item a integralidade de um único sistema de ingresso na UFSM, no caso o SiSU, devido ao fato de que as universidades que adotaram o sistema híbrido como forma de experiência identificaram diversos problemas para a administração no momento de equacionar o preenchimento das vagas entre os dois sistemas, e por parte dos estudantes no momento de inscrição, preparação para a prova e matrícula nos cursos. Diversas universidades que implementaram o sistema híbrido acabaram substituindo pela integralidade do SiSU. Atualmente 80% das universidades já aderiram a este sistema, e destas, a grande maioria tem o SiSU como única forma de ingresso.
Sobre a ocupação das vagas nas instituições que adotaram o SiSU, 90% são estudantes oriundos da própria região, sendo 85% alunos do próprio estado onde se encontra a IFES. As regiões Sudeste e Nordeste possuem índices ainda maiores, de, aproximadamente, 97% de estudantes da mesma região.
Se o regionalismo é entendido enquanto seus aspectos culturais e particularidades regionais envolvidas nas provas, pode-se dizer que sequer o vestibular faz isso, até por não ser este o seu objetivo. Aliás, a ideia de que esses aspectos regionais devem ser incorporados ao ensino seria uma meta da escola no tocante a formação do estudante e não propriamente no conteúdo de prova.
Quanto ao problema de desistência das vagas, as IFES que não possuem SiSU tem uma taxa média de 10% de evasão, devido ao fato de que o próprio SiSU funciona como concorrência ao modo tradicional de ingresso que é o vestibular.  Por exemplo, o curso de medicina, mais concorrido da UFSM, tinha em sua 3ª chamada 25 vagas, e na chamada oral ainda restavam 14 vagas a serem preenchidas.
 Outro elemento positivo é que a mobilidade inter-regional que o SiSU proporciona pode ser produtiva para o desenvolvimento do estudante e para a qualificação das instituições, do ensino e da pesquisa.
Ademais, o vestibular não tem como objetivo, diferentemente do ENEM, a avaliação e o aprimoramento do ensino médio.
Apesar do vestibular da UFSM ter ampliado o acesso à prova com a descentralização, o ENEM hoje já é realizado pela maior parte dos estudantes do ensino médio, em todo estado e no país.
Se com a recente descentralização do vestibular foi possível ampliar o acesso à prova e ao ensino superior, com o SiSU, podemos ampliar ainda mais a democratização do acesso às universidades brasileiras. É tempo de avançar rumo a uma universidade pública, democrática e popular!




Diretório Central dos Estudantes
  

terça-feira, 20 de maio de 2014

Nota de esclarecimento

Viemos através deste comunicado esclarecer a notícia publicada na edição de hoje, dia 20 de maio de 2014, no editorial do Jornal A Razão, sob o título “O embate entre dezembro e janeiro”. Neste artigo, se referindo a discussão das formas de ingresso no vestibular 2015 da UFSM, a edição do jornal aponta que o DCE “defende a realização do vestibular de 7 a 9 de janeiro, adesão ao Sisu em 30% e 50% de estudantes cotistas em todos os cursos”.

Gostaríamos de frisar que há um erro grave na primeira afirmação, pois o DCE-UFSM Gestão É Tempo de Avançar, jamais se posicionou favorável a aprovação do vestibular da UFSM em janeiro, pelo contrário, defendemos sua manutenção em dezembro.

No que se refere aos demais pontos, reiteramos nossa posição favorável a regulamentação imediata da Lei 12.711, a qual estabelece um mínimo de 50% de cotas para estudantes oriundos de escolas públicas, no processo de ingresso da UFSM, também nos posicionamos favoravelmente a adoção do sistema Sisu como forma de ingresso a nossa universidade.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Assembleia Geral dos Estudantes

Na próxima quarta-feira (21) será realizada mais uma Assembleia Geral dos Estudantes, na qual além dos informes gerais, será discutida a pauta da Assistência Estudantil, cujo Seminário Estadual ocorre no final desse mês na UFSM (http://goo.gl/rXiZuV ). A assembleia ocorrerá no auditório do prédio 17 no campus da universidade, às 16:30.

Convidamos todos a participar e discutir sobre moradia, alimentação, assistência médica e odontológica, transporte, atendimento psicológico, biblioteca, internet, e tudo mais que a assistência estudantil pode oferecer aos estudantes.


Para maiores informações sobre o Seminário Estadual de Assistência Estudantil, acesse o blog em http://goo.gl/Jc6xNJ .