quinta-feira, 24 de março de 2011

PROCESSO SELETIVO ONG INFÂNCIA-AÇÃO 2011


“Toda criança deve crescer em um ambiente de amor, segurança e compreensão. As crianças devem ser criadas sob o cuidado dos pais, e as pequenas jamais deverão separar-se da mãe, a menos que seja necessário. O governo e a sociedade têm a obrigação de fornecer cuidados especiais para as crianças que não têm família nem dinheiro para viver decentemente.” Princípio 6º, Declaração dos Direitos da Criança
A ONG Infância-Ação tem como objetivo prestar assistência às crianças em situação de risco e/ou vulnerabilidade perante a sociedade santa-mariense. Realiza projetos nas áreas de educação, saúde, lazer, cultura e meio ambiente, a fim de promover a inclusão social dessas crianças.

A ONG tem tradição de realizar processos seletivos para a admissão de novos membros. Desde 2007, mais de 150 pessoas já passaram pela administração da organização. PERFIL DO CANDIDATO: A ONG Infância-Ação está em busca de pessoas que tenham comprometimento, responsabilidade social, sinergia e outras atitudes que correspondam aos valores da organização.



O que: Processo Seletivo para membros voluntários efetivos
Quando: 26/03 Horário: 14h às 18h
Onde: Sala do Tribunal do Júri – CCSH UFSM (Antiga reitoria).

Observação: Todos os interessados em participar da administração devem comparecer nada data e local mencionados (etapa eliminatória).

Todos à Reitoria nesta sexta (25/3) a partir das 8:30hs, no 2º andar

Estudante Junta a Tua a Nossa Voz!

terça-feira, 22 de março de 2011

Pela Melhoria do Xerox do Centro de Educação!

Relato elaborado pelo DACE (Diretório Acadêmico do Centro de Educação)

O único ponto de xerox do CE, é frequentado por todos os alunos e professores dos Cursos de Graduação, Pós-graduação e Formação de Professores do CE, Curso de Letras e Biologia, e também toda a demanda administrativa do CE.

Cada dia que passa, o tempo de espera na fila é cada vez maior. Estudantes ficam, em média, uma hora na fila, muitas vezes perdendo tempo de aula, ou o tempo de leitura e estudos.

Na reunião do Conselho do Centro de Educação feita em agosto de 2010, foi “aprovado por unanimidade uma nova licitação para uma empresa de cópia xerográfica para o prédio anexo/CE”. (Ata Nº 494). Após sete meses de espera, e filas cada vez maiores, ainda não foi resolvido nada.

O DACE, juntamente com o DABIO, DAL e DCE, exige uma respostas sobre a decisão do Conselho do CE, bem como a ampliação e/ou a criação de um novo xerox no Anexo/CE.

Hoje, com a manifestação iniciada as 8 horas, o DACE, DCE e representantes de turmas se reuniram com a Direção do CE para expor nossas exigências. Após muita conversa, a Direção se comprometeu de abrir uma nova licitação pública para abrir um novo Xerox no prédio Anexo/CE.

Em conversa com o responsável pela empresa do atual (e único) Xerox do CE pedimos o comprometimento em relação o atendimento, qualidade e horários de funcionamento. Deixamos claro que vamos fazer por escrito o que não estiver de acordo com o prometido por ele.

O DACE deixa aberto este tópico, bem como o E-mail, para possíveis reclamações, e toma as atitudes necessárias.


Agradecemos ao DCE e todos os estudantes, professores e funcionários que colaboraram com esta luta/vitória.



DACE




domingo, 13 de março de 2011

Semana da Calourada - Apresentações Musicais nos RUs

Segunda-feira - RU Antigo

11h30 - Wild Side

12h30 - Jair Gonçalvez


Terça-Feira - RU Antigo

11h30 - The Volunteers

12h30 - Inseto Social


Quarta-Feira - RU Antigo

11h30 - Black Rose

12h30 - Gurizada Fandagueira


Quinta-Feira - RU Novo

11h30 - Health

12h30 - Sobretudo Blues


Sexta-Feira - RU Novo

11h30 - Apresentação da Escola de Samba Unidos do Itaimbé

12h30 - Agranel

Programação Especial da Boate na Semana da Calourada

Para receber os novos alunos da UFSM no primeiro semestre de 2011, o DCE da UFSM preparou uma programação especial numa das maiores, ou talvez, a maior Semana da Calourada já organizada pelo DCE. Uma das atrações é a programação especial da Boate, que abrirá de quarta até sábado e terá uma promoção diferente para os calouros.


Quarta e quinta a Boate do DCE abre às 18h e vai até a meia-noite. Na quarta a música fica por conta dos DJs Brutus e Gago, tocando os melhores sons dos anos 80, na quinta o Coletivo Afronta promove a festa Black Freedom, com o melhor da black music. Nesses dois dias, o DCE venderá caixas de cervejas com valores especiais para turmas de calouros e veteranos confraternizarem na Boate.


A caixa de Bavária Clássica custará R$ 60,00 (R$2,50 cada), a Bavária Premium custará R$ 70,00 (R$ 2,91 cada) e a Heineken R$ 85,00 (3,54 cada). As cervejas só serão vendidas com engradados fechados (24 fichas), e podem ser compradas por calouros ou veteranos que apresentem guia de matrícula ou carterinha.


Na sexta-feira o DCE realiza a Boate Tradicional, com show da BJack na Catacumba. No sábado a Boate volta a ser aberta com um especial de Samba, que encerra a programação da Calourada.



No link abaixo pode ser conferida a programação completa da Semana da Calourada.

http://avantedceufsm.blogspot.com/2011/03/programacao-semana-da-calourada.html

Discutindo Mobilidade Urbana: Calourada recebe Secretário Estadual de Habitação do RS

Um dos principais destaques da Semana da Calourada organizada pelo DCE da UFSM para receber os calouros do primeiro semestre de 2011 contará com a presença do Secretário de Habitação e Saneamento do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Marcel Frison. A mesa terá como tema "Mobilidade Urbana e direito a moradia no acesso às cidades", e também terá a presença de Cristiano Schumacher, do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), e do coordenador-geral do DCE, Eduardo Miotto Flech.





Marcel Frison/Foto: Bruno Alencastro/Sul 21


Ao discutir mobilidade urbana, o DCE tem a intenção de politizar o debate sobre transporte público, unindo a questões como o acesso à saúde, à cultura e à educação, além do direito à moradia e a maneira como (não) é pensada a cidade hoje. O Debate acontece às 13h45min de segunda-feira (13), no Lonão montado em frente ao Restaurante Universitário "antigo" do Campus da UFSM em Santa Maria.


Marcel Frison foi Secretário Municipal de Habitação da Prefeitura de São Leopoldo do Sul, e chefe de Gabinete do Ministério da Pesca durante o primeiro governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, no começo do ano assumiu a Secretária Estadual de Habitação e Saneamento.

Estudantes de Frederico: Consumidores ou Cidadãos?

Por Mairo Trentin Piovesan



Nem só o Ensino Superior, Gratuito e de Qualidade parece ter chegado a Frederico Westphalen através do campus da UFSM, os problemas e as dificuldades pelos quais passam os Estudantes também estacionaram aqui. A cada volta ás aulas nos é reservado uma surpresa nada agradável, o aumento da passagem. Pela segunda vez em menos de 5 meses houve aumento na tarifa cobrada, totalizando neste período um aumento de incríveis e inadmissíveis 75% (virou coisa corriqueira). Tudo muito negativo para estudantes que já convivem com os abusivos e inconcebíveis preços dos aluguéis e de muitos serviços da cidade, além da falta de Assistência Estudantil da própria Universidade.


Resumindo, a cidade de Frederico valoriza muito pouco àqueles que contribuem muito para seu crescimento, nos trata como meros Consumidores, a serviço de uma pseudo burguesia faminta por lucros cada vez maiores.


Faço coro à idéia de que somente a organização dos Estudantes poderá criar uma conjuntura diferente da atual, para que nós Estudantes sejamos valorizados pelo papel que desempenhamos na Sociedade e não apenas pelas cifras gigantescas que movimentam a economia frederiquense deixando muitos de nossos “comerciantes” e “empresários” de boca aberta e de bolso cheio.


Saudações a quem tem Coragem!


*Estudante de Agronomia do CESNORS/UFSM, membro do Diretório Central dos Estudantes da UFSM

sábado, 12 de março de 2011

Semana da calourada do CCS 2011/1 – Espaço Cultural Exposição fotográfica – EL IMPENETRABLE

Por Rafael Cabral Macedo*


Muitos são os pontos de vista nesse imenso mundo, tantos são que para saber quando foi o começo da história dessa exposição devemos refletir profundamente no tempo e no transcorrer dos fatos. Se formos superficiais podemos dizer que essa história começa em 2010 no dia em que eu, Rafael Cabral Macedo, estudante de Medicina da Universidade Federal de Santa Maria, fui escolhido para participar de um programa de Intercâmbio organizado pela Secretaria de Apoio Internacional em conjunto com outras universidades da America Latina na Universidade de Buenos Aires. Nesse Intercambio tive a oportunidade de vivenciar a realidade de outro país e cursar disciplinas que eu mesmo escolhi. Foi visando justamente a imersão total em tal realidade que elegi as matérias de Infectologia, Psiquiatria e Saúde Pública 2 com enfoque sociocultural. Creio que todas elas me adicionaram uma imensa bagagem, mas foi justamente na saúde pública que tive a oportunidade de conhecer Andrés Cuyul, um simpático professor chileno, mestre em saúde publica e responsável pelas questões indígenas da UNICEF. Em uma de suas aulas, esse professor nos explicou que estava organizando um projeto de extensão numa região chamada Impenetrable, na província do Chaco, nordeste da Argentina, o qual visava a capacitação de agentes de saúde Wichí (Povo originário da região) e estudantes de enfermaria do terciário de uma instituição chamada “Fundación Valdocco” em conteúdos e estratégias para prevenção de saúde em comunidades indígenas, assim como formação vivencial dos estudantes de medicina em trabalho comunitário e abordagem sociocultural da saúde em populações vulneráveis. Sem demora fui o primeiro a me inscrever e assim adentrei na maior e mais inspiradora experiência de minha vida, acompanhado por estudantes de medicina, psicologia, direito, trabalho social e trabalho audiovisual.


Durante as sete semanas que antecederam a viagem trabalhamos na preparação das oficinas de formação, fizemos estratégias de atuação em terreno, buscamos recursos e doações e estabelecemos dinâmicas internas de grupo para o desenvolvimento de um trabalho coordenado. Saímos no dia 27 de Novembro de 2010 de Buenos Aires e percorremos cerca de 1600Km passando pela cidade de J. J.Castelli (portão de entrada do Impenetrable) e chegando finalmente a Comandancia Frías, aonde fomos recebidos na Fundación Valdocco. Nas últimas 6 horas de viagem e nas demais outras que vivenciei a comunidade pude perceber o porquê do nome Impenetrable, primeiramente o terreno é constituído basicamente por terra e pó o que contribui para que os poucos rios da região sejam ricos em arsênio tornando-os inapropriados para consumo sendo a dependência do abastecimento hídrico quase exclusivamente das águas das chuvas. Em um segundo momento a chuva faz com que as ditas estradas tornem-se imensos atoleiros o que impossibilita o trânsito de veículos e de pessoas na região, o que ocasionou inúmeros episódios de atolamento do nosso ônibus mágico. Existe ainda a impenetrabilidade cultural, já que grande parte da população só fala Wichí, língua originária de seus antepassados indígenas, sendo essa uma das grandes importâncias dos agentes de saúde que são a chave para a transferência e contra transferência de conhecimento.


Durante uma semana pudemos ser inseridos na realidade local, pudemos ver de perto como a precarização e a privatização do sistema de saúde de todo um país influência e exclui aqueles que mais precisam de ajuda, podemos ver a importância de uma equipe interdisciplinar no atendimento básico da população, vimos que ainda existem pessoas morrendo por doenças já “erradicadas” e que sequer recebem atendimento, mas o que é mais importante de tudo, é que observamos e aprendemos com a força de um povo que luta para sobreviver contra as opressões tanto sociais como geográficas. Foram desses momentos de experiência, indignação e aprendizado que tive a oportunidade de guardar alguns momentos em minha máquina fotográfica.


Essa tem por finalidade mostrar que não é preciso ir até ao nordeste da Argentina para vermos que existe “Impenetrables”, basta tirarmos o véu que cobre nossos olhos e observarmos que em todos os nossos lados existem Impenetráveis, e que para mudarmos essa realidade são necessárias ações efetivas e não políticas assistencialistas as quais cobrem ainda mais nossos olhos e fazem com que sejamos condizentes com a desigualdade e injustiça. Façamos parte da mudança, sejamos a aurora dos novos tempos. Uni-vos!



*Acadêmico de Medicina da UFSM, DAMED e DCE da UFSM

Alunos da UFSM vão eleger em abril a nova direção do DCE

Com informações da Comissão Eleitoral e do Portal UFSM


As atividades e debates no movimento estudantil da UFSM aumentam à medida que se aproxima o processo eleitoral para a escolha da nova direção do Diretório Central dos Estudantes (DCE). A inscrição das chapas concorrentes será no dia 4 de abril, das 19h às 21h, na sede central do diretório, localizada no centro da cidade, na Rua Professor Braga, 79. O período para campanha eleitoral será de 11 a 26 de abril. Toda essa atividade culmina em 27 de abril, dia da eleição.


Todos os alunos da UFSM estão aptos a votar. Isso inclui os estudantes de graduação e pós-graduação nos quatro campi da universidade (Santa Maria, Frederico Westphalen, Palmeira das Missões e Silveira Martins), os alunos dos colégios técnicos da instituição e aqueles matriculados nas modalidades ensino a distância (EaD) e aluno especial. A chapa que for eleita terá um mandato de um ano à frente do DCE.


Para mais informações, acesse o regimento eleitoral, que está disponível no link abaixo.


http://sucuri.cpd.ufsm.br/noticias/files/arq/32610.pdf

Programação SEMANA DA CALOURADA




Segunda Feira

11h30min
Show com bandas
RU Antigo


13h45min
Debate: Mobilidade Urbana e direito a moradia no acesso as cidades
Local União Universitária

Marcel Frison, Secretário Estadual de Habitação e Saneamento
Cristiano Schumacher, Movimento Nacional de Luta pela Moradia
Eduardo Flech, coordenador-geral do DCE-UFSM


Terça- Feira

11h30min
Show com bandas
RU Antigo

16h
Debate: Os rumos da UFSM após a implementação das ações afirmativas.
Prof. Dr. Julio Ricardo Quevedo dos Santos - Presidente da Comissão de Ações Afirmativas da UFSM
Prof. Dr. Paulo Roberto Cardoso da Silveira - Vice-Presidente da Comissão de Ações Afirmativas
Coletivo Afronta


Quarta- Feira

11h30min
Show com bandas
RU Antigo

14h
Exibição do Filme Bicicletas de Nhanderu
Mbyá Guarani Ariel Duarte Ortega, cineasta
Local: Auditório Sérgio Pires

19h
Projeção de filmes nos lonões.

Conversas ao Redor do fogo.
Embaixo do viaduto na frente do RU I

18h às 23h59min
Boate do DCE Especial Anos 80

Promoção de cerveja para calouros com guia de matrícula de 2011
Caixa fechada de Heineken 85,00; de Bavaria Premiun 70,00 de Bavaria Clássica 60,00


Quinta- feira

11h30min
Show com bandas
RU Novo

8h30min
Exibição de filme Kaingang. Com debate no final.
Local: Auditório Sérgio Pires.

14h
Debate com a presença de estudantes Universitários Indígenas: Situação atual dos Estudantes Universitários Indígenas – Experiências

16h
Debate: PNE e os Rumos da Educação Brasileira
Lonão RU Novo


18h às 23h59min
Boate do DCE Especial Black Freedom

Promoção de cerveja para calouros com guia de matrícula de 2011
Caixa fechada de Heineken 85,00; de Bavaria Premiun 70,00 de Bavaria Clássica 60,00

Sexta-Feira

11h30min
Show com bandas
RU Novo



Meia-noite
Boate do DCE Tradicional
Catacumba: Rock Gaúcho com a Banda BJack


Sábado

Meia-noite
Boate do DCE Especial Samba

terça-feira, 8 de março de 2011

Dispenso Essa Rosa!

por Marjorie Rodrigues

Dia 8 de março seria um dia como qualquer outro, não fosse pela rosa e os parabéns. Toda mulher sabe como é. Ao chegar ao trabalho e dar bom dia aos colegas, algum deles vai soltar: ”parabéns”.

Por alguns segundos, a gente tenta entender por que raios estamos recebendo parabéns se não é nosso aniversário (exceção, claro, à
minoria que, de fato, faz aniversário neste dia). Depois de ficar com cara de bestas, num estalo a gente se lembra da data, dá um sorriso
amarelo e responde “obrigada”, pensando: “mas por que eu deveria receber parabéns por ser mulher?”.

Mais tarde, chega um funcionário distribuindo rosas. Novamente, sorriso amarelo e obrigada. É assim todos os anos. Quando não é no
trabalho, é em alguma loja. Quando não é numa loja, é no supermercado. Todos os anos, todo 8 de março: é sempre a maldita rosa.

Dizem que a rosa simboliza a “feminilidade” , a delicadeza. É a mesma metáfora que usam para coibir nossa sexualidade — da supervalorizaçã o da virgindidade é que saiu o verbo “deflorar” (como se o homem, ao romper o hímen de uma mulher, arrancasse a flor do solo, tomando-a
para si e condenando-a – afinal, depois de arrancada da terra, a flor está fadada à morte). É da metáfora da flor, portanto, que vem a idéia
de que mulheres sexualmente ativas são “putas”, inferiores, menos respeitáveis.

A delicadeza da flor também é sua fraqueza. Qualquer movimento mais brusco lhe arranca as pétalas. Dizem o mesmo de nós: que somos o “sexo frágil” e que, por isso, devemos ser protegidas. Mas protegidas do quê? De quem? A julgar pelo número de estupros, precisamos de proteção contra os homens. Ah, mas os homens que estupram são psicopatas, dizem. São loucos. Não é com estes homens que nós namoramos e casamos, não é a eles que confiamos a tarefa de nos proteger. Mas, bem, segundo pesquisa Ibope/Instituto Patricia Galvão, 51% dos brasileiros dizem conhecer alguma mulher que é agredida por seu parceiro. No resto do mundo, em 40 a 70 por cento dos assassinatos de mulheres, o autor é o próprio marido ou companheiro. Este tipo de crime também aparece com frequência na mídia. No entanto, são tratados como crimes “passionais” – o que dá a errônea impressão de que homens e mulheres os cometem com a mesma frequência, já que a paixão é algo que acomete ambos os sexos. Tratam os homens autores destes crimes como “românticos” exagerados, príncipes encantados que foram longe demais. No entanto, são as mulheres as neuróticas nos filmes e novelas. São elas que “amam demais”, não os homens.

Mas a rosa também tem espinhos, o que a torna ainda mais simbólica dos mitos que o patriarcado atribuiu às mulheres. Somos ardilosas,
traiçoeiras, manipuladoras, castradoras. Nós é que fomos nos meter com a serpente e tiramos o pobre Adão do paraíso (como se Eva lhe tivesse enfiado a maçã goela abaixo, como se ele não a tivesse comido de livre e espontânea vontade). Várias culturas têm a lenda da vagina dentata. Em Hollywood, as mulheres usam a “sedução” para prejudicar os homens e conseguir o que querem. Nos intervalos do canal Sony, os machos são de “respeito” e as mulheres têm “mentes perigosas”. A mensagem subliminar é: “cuidado, meninos, as mulheres são o capeta disfarçado”. E, foi com medo do capeta que a sociedade, ao longo dos séculos, prendeu as mulheres dentro de casa. Como se isso não fosse suficiente, limitaram seus movimentos com espartilhos, sapatos minúsculos (na China), saltos altos. Impediram-na que estudasse, que trabalhasse, que tivesse vida própria. Ela era uma propriedade do pai, depois do marido. Tinha sempre de estar sob a tutela de alguém, senão sua “mente perigosa” causaria coisas terríveis.

Mas dizem que a rosa serve para mostrar que, hoje, nos valorizam.
Hoje, sim. Vivemos num mundo “pós-feminista” afinal. Todas essas discriminações acabaram! As mulheres votam e trabalham! Não há mais
nada para conquistar! Será mesmo? Nos últimos anos, as diferenças salariais entre homens e mulheres (que seguem as mesmas profissões)
têm crescido no Brasil, em vez de diminuir. Nos centros urbanos, onde a estrutura ocupacional é mais complexa, a disparidade tende a ser
pior. Considerando que recebo menos para desempenhar o mesmo serviço, não parece irônico que o meu colega de trabalho me dê os parabéns por ser mulher?

Dizem que a rosa é um sinal de reconhecimento das nossas capacidades.
Mas, no ranking de igualdade política do Fórum Econômico Mundial de 2008, o Brasil está em 10oº lugar entre 130 países. As mulheres têm
11% dos cargos ministeriais e 9% dos assentos no Congresso — onde, das 513 cadeiras, apenas 46 são ocupadas por elas. Do total de prefeitos eleitos no ano passado, apenas 9,08% são mulheres. E nós somos 52% da população.

A rosa também simboliza beleza. Ah, o sexo belo. Mas é só passar em frente a uma banca de revistas para descobrir que é exatamente o
contrário. Você nunca está bonita o suficiente, bobinha. Não pode ser feliz enquanto não emagrecer. Não pode envelhecer. Não pode ter
celulite (embora até bebês tenham furinhos na bunda). Você só terá valor quando for igual a uma modelo de 18 anos (as modelos têm 17 ou
18 anos até quando a propaganda é de creme rejuvenescedor… ). Mas mesmo ela não é perfeita: tem de ser photoshopada. Sua pele é alterada a ponto de parecer de plástico: ela não tem espinhas nem estrias nem olheiras nem cicatrizes nem hematomas, nenhuma dessas coisas que a gente tem quando vive. Ela sorri, mas não tem linhas ao lado da boca.
Faz cara de brava, mas sua testa não se franze. É magérrima (às vezes, anoréxica), mas não tem nenhum osso saltando. É a beleza impossível, mas você deve persegui-la mesmo assim, se quiser ser “feminina”. Porque, sim, feminilidade é isso: é “se cuidar”. Você não pode
relaxar. Não pode se abandonar (em inglês, a expressão usada é exatamente esta: “let yourself go”). Usar uma porrada de cosméticos e
fazer plásticas é a maneira (a única maneira, segundo os publicitários) de mostrar a si mesma e aos outros que você se ama.
“Você se ama? Então corrija-se”. Por mais contraditória que pareça, é esta a mensagem.

Todo dia 8 de março, nos dão uma rosa como sinal de respeito. No entanto, a misoginia está em toda parte. Os anúncios e ensaios de moda
glamurizam a violência contra a mulher. Nas propagandas de cerveja e programas humorísticos, as mulheres são bundas ambulantes, meros
objetos sexuais. A pornografia mainstream (feita pela Hollywood pornô, uma indústira multibilionária) tem cada vez mais cenas de violência,
estupro e simulação de atos sexuais feitos contra a vontade da mulher. Nos videogames, ganha pontos quem atropelar prostitutas.

Todo dia 8 de março, volto para casa e vejo um monte de mulheres com rosas vermelhas na mão, no metrô. É um sinal de cavalheirismo, dizem.
Mas, no mesmo metrô, muitas mulheres são encoxadas todos os dias. Tanto que o Rio criou um vagão exclusivo para as mulheres, para que
elas fujam de quem as assedia. Pois é, eles não punem os responsáveis. Acham difícil. Preferem isolar as vítimas. Enquanto não combatermos a idéia de que as mulheres que andam sozinhas por aí são “convidativas” , propriedade pública, isso nunca vai deixar de existir. Enquanto
acharem que cantar uma mulher na rua é elogio , isso nunca vai deixar de existir. Atualmente, a propaganda da NET mostra um pinguim (?)
dizendo “ê lá em casa” para uma enfermeira. Em outro comercial, o russo garoto-propaganda puxa três mulheres para perto de si, para que
os telespectadores entendam que o “combo” da NET engloba três serviços. Aparentemente, temos de rir disso. Aparentemente, isso ajuda
a vender TV por assinatura. Muito provavelmente, os publicitários criadores desta peça não sabem o que é andar pela rua sem ser
interrompida por um completo desconhecido ameaçando “chupá-la todinha”.

Então, dá licença, mas eu dispenso esta rosa. Não preciso dela. Não a aceito. Não me sinto elogiada com ela. Não quero rosas. Eu quero
igualdade de salários, mais representação política, mais respeito, menos violência e menos amarras. Eu quero, de fato, ser igual na
sociedade. Eu quero, de fato, caminhar em direção a um mundo em que o feminismo não seja mais necessário.

…Enquanto isso não acontecer, meu querido, enfia esta rosa no dignissímo senhor seu cu.

Texto de 2009.


http://www.gafemini sta.blogspot. com/

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

DILMA, O SALÁRIO MÍNIMO E O DÉFICIT

Por  Luiz Bicalho
É a cantilena de sempre: ‘aumentará o déficit orçamentário, os gastos do governo, a inflação e inviabilizará as empresas’. Os ‘economistas’ de plantão ganham rios de dinheiro para tentar provar que mais R$30 no salário mínimo inviabilizará a economia.





Confesso que ao ler os últimos artigos de jornais e revistas, as entrevistas de ministros, “analistas” e “economistas” o asco me sobe à boca e me dá uma preguiça imensa de rebater a imensa quantidade de bobagens que é espalhada por jornais, TV e internet. A única coisa que me vem à cabeça é a música de Vinícius:
Acordo de manhã, pão sem manteiga
E muito, muito sangue no jornal
Aí a criançada toda chega
E eu chego a achar Herodes natural

Claro, todos lembramos que o valor do Salário Mínimo será editado por Projeto de Lei ou Medida Provisória feita pela Presidente Dilma e remetido ao Congresso. E cada um dos parlamentares, ganhando um pobre salário de 26 mil reais, mais gasolina, telefone, casa, passagem aérea e otras cositas más tão necessárias à sobrevivência de seu mandato parlamentar, de graça para ele e custando muito aos nossos bolsos, decidirá se os pobres deste país terão ou não direito a mais 30 reais mensais em seus já ricos bolsos. Sim, desde a Presidente que mora em casa sustentada pelo poder público, com criados e empregados para atender a cada uma de suas vontades e necessidades, com comida, transporte, comunicação e segurança paga por este que vos escreve e por todos nós que trabalhamos e vivemos neste país, até cada um destes parlamentares que às nossas custas vivem, eles que têm de tudo do bom e do melhor, vão decidir se os pobres terão do “bom” e do “melhor” com mais 30 reais em seus já ricos bolsos, 30 reais que não farão tanta diferença assim, mas que somados uns aos outros acabarão com a economia deste país – nos dizem todos os nossos “especialistas” de plantão, nenhum deles ganhando perto do salário mínimo e provavelmente gastando no almoço, no jantar ou na cervejinha do dia a dia (perdão, no vinho tinto ou no whisky, que cerveja é coisa de pobre que ganha um pouco mais que salário mínimo que com este salário de 540 reais nem cervejinha o pobre tem direito a tomar, que a cerveja já custa muito para se permitir um luxo desses), mas enfim eu dizia, gastando cada um desses analistas muito mais nessas festas e comilanças ou na sua dieta vegetariana ou mediterrânea muito mais em uma hora que os 30 reais tão discutidos que “poderiam levar o país e a economia à bancarrota”.

Ah – dizem-me alguns – vem por aqui, nem pobre existe mais, existe o Bolsa Família. E eu os olho com olhos lassos, há nos meus olhos ironias e cansaços, e lembro as noticias sobre o programa “Minha casa, Minha vida”, onde aqueles que acabaram de mudar, por não poderem pagar um prestação de 50 reais, venderam suas casas e voltaram para as favelas de onde vieram (O Estado de São Paulo, 20/01/2011).

Então, sem repetir aqui cada um dos argumentos e citações que “provam” a impossibilidade de aumento do salário mínimo, peço a cada um dos leitores que me siga um pouco para mostrar o que isso quer realmente dizer e em que ponto nós estamos nessa situação toda.

1. Câmbio, juros e inflação

Segundo a lenda grega, o Rei de Corinto, Sísifo, foi condenado, como castigo por ter fugido do inferno, a empurrar uma pedra até o alto da montanha. Quando terminava o trabalho, a pedra despencava morro abaixo e Sísifo era obrigado a recomeçar, repetindo isso eternamente. A discussão sobre juros e câmbio no país tem algo parecido com isso. A premissa básica da história é que a inflação é causada pelo aumento do consumo, ou seja, pela maior busca de mercadorias por parte dos consumidores que levaria, “naturalmente” ao aumento do preço dessas mercadorias por estarem sendo mais buscadas que antes. Assim, métodos que ajudariam a conter a inflação começam com o aumento dos juros, o que implica em prestações mais altas para o mesmo valor do produto e, portanto, em diminuição do consumo.

Ah, está claro que um aumento de 30 reais do salário mínimo levaria evidentemente a um aumento de consumo! Afinal, o pobre poderia comer um pão a cada 3 dias ao invés de um pão a cada 4 dias e com isso – Surpresa! – o preço do pão vai aumentar e a inflação vai corroer o valor do salário de todo mundo, particularmente daqueles que podem comer pão todos os dias e também o seu caviar de cada dia – embora tanto eu como vocês fiquemos um pouco impressionados com esse raciocínio aonde um pobre que pode comer mais pão leva ao aumento do preço do caviar, mas, enfim, nos dizem os comedores de caviar com whisky 21 anos que é por causa dos pobres que se aumenta o preço do caviar e do whisky.

Resumindo, para evitar a inflação, temos que aumentar os juros. O problema é que quando se aumenta os juros, o dólar cai. Como assim? – perguntam os leitores. Simples: se aumentam os juros, um monte de especuladores toma dinheiro emprestado em dólares no exterior pagando juros baixíssimos ou até negativos e “investe” esse dinheiro no Brasil, recebendo juros muito mais altos. Em outras palavras, os “investidores” trazem dólares para o Brasil e como tem muito dólar para pouco real, o preço do dólar cai. Esse movimento também ajuda na queda da inflação, já que com o dólar mais baixo o resultado é que as mercadorias podem ser compradas no exterior a um preço mais baixo do que se fabricadas aqui e então o resultado é que cai o preço, ou seja, menos inflação. Então, aumentar os juros é uma maravilha!

Mas, ai, esquecemos! A maldita inflação começou com todo mundo querendo comer um pão a mais, querendo comprar um liquidificador, uma vassoura ou uma camisa. E com os produtos chegando mais baratos ao Brasil, começa nova onda de compras e... sobe o preço! Inflação de novo! Sísifo carrega a pedra até em cima do morro e eis que ela cai de novo! Socorro, bradam os economistas e analistas, e agora? Claro que cada um defende seu ponto de vista, diz para aumentar ou abaixar os juros e jura que isso vai resolver o problema.

Ah, mais um pequeno detalhe: ao aumentar os juros, quando cai o valor do dólar e das mercadorias importadas, cai a produção da indústria nacional e perdemos empregos e salários. Assim, diminuindo empregos e salários, cai a demanda, cai a procura por mercadorias, cai o consumo e, portanto, cai a inflação! Pena que aí também cai o que pode pagar os juros altos e entramos novamente em mais uma roda sem fim.

2. Valor, preço, oferta e procura

A questão é que esses economistas e analistas de plantão não têm a mínima ideia de qual direção sopram os ventos e muito menos o que compõe os valores, os preços e o que determina esta situação. Assustam-se quando uma revolução na Tunísia e no Egito eleva o preço do petróleo para 100 dólares o barril quando custava 70 ou 80 dólares já na véspera (Folha de São Paulo, 28/01/2011). Ah, meus pobres e coitados ignorantes, que encharcam-se de cachaça e carne seca, já que o whisky e caviar ficaram caros ou estão em falta nestes tempos de vacas tão gordas que todos comem o filé e só aos pobres não sobra nem o pão, nem a farinha nem a carne seca!

Retomemos para ajudar a todos que até por nossa culpa se perderam nesses lamentos e choros dos “economistas” e “analistas” que de economia não entendem uma vírgula, e olhemos os fatos básicos de uma economia capitalista.

O primeiro dado é que a economia se baseia na produção e venda de mercadorias. E todos os produtos são mercadorias – a moeda entre eles. Assim, o valor de uma moeda é dado pelo seu preço de produção. O problema é que faz muito tempo que a moeda deixou de ser ouro e prata – um valor perfeitamente calculável – e também deixou de ser um bilhete que representava o ouro e a prata e passou a ser um número existente em um sistema de computador do seu, do nosso, do banco “deles”, dos banqueiros. Em outras palavras, o valor do Real, do Dólar e do Euro guardam uma relação indireta com o valor do ouro, ao invés de uma relação direta.

Mas, de forma geral, o ouro vem se apreciando frente às “moedas”. Por que? Porque o valor dessas moedas deprecia-se quando a sua capacidade real de ser convertida em bens e valores está sendo depreciada – em outras palavras: o tesouro e o banco central dos EUA estão emitindo mais moeda e com isso a moeda (dólar) está sendo depreciada. O Banco Central Europeu faz um movimento semelhante com o Euro. Além disso, todos eles desceram os juros para um valor negativo – ou seja, o tesouro não remunera quem aplica nos seus títulos. O Brasil fez um movimento inverso, com a perspectiva de “controlar a inflação”. O resultado é que a moeda brasileira se apreciou frente às outras moedas e foi a moeda que mais variou de valor, ou seja, que mais foi alvo de especulação nos últimos doze meses!

E, no entanto, é preciso lucrar! E por isso os capitalistas sabem que têm que comprar e vender mercadorias. Mas, de onde vem o lucro? Vem justamente do trabalho não pago, da mais-valia (ver Salário, Preço e Lucro de Karl Marx). Então, os capitalistas têm que “suar” para conseguir extrair a mais-valia, primeiro produzindo e pagando aos operários menos do que vale o fruto de seu trabalho e depois competindo no mercado para poder vender a mercadoria e realizar o lucro.

Como isso é feito? Ora, os salários pagos no Brasil são menores que os salários pagos nos EUA e Europa e maiores que os salários pagos na China e Vietnã. Então, uma boa parte dos produtos é fabricada aqui tendo em vista essa “concorrência salarial”, ou seja, é mais barato produzir aqui que na Europa e EUA! Mas é mais caro que na China – inclusive contando o custo do transporte. Mas, se isso é inteiramente verdade, por que toda a produção do mundo não foi transferida ao Leste Asiático? Porque o preço da força de trabalho, individualmente considerada, é medida em termos do operário sem qualificação. E o operário qualificado produz muito mais que um operário desqualificado. Em outras palavras, você paga muito mais a um operário qualificado porque ele produz muito mais que um operário sem qualificação. E não se trata de dar um cursinho de qualificação de 6 meses como esses programas do Ministério do Trabalho que existem por aí. Trata-se de dezenas de anos de aperfeiçoamento da força de trabalho que faz o trabalho na Alemanha ou nos EUA render muito mais que no Brasil e muitíssimo mais que na China.

Além disso, é impossível construir (por enquanto) um prédio na China e trazê-lo e fincá-lo num bairro qualquer. Explicado isso, em que situação estamos?

O Brasil escapou quase incólume da crise mundial. Os 2 milhões de empregos que foram perdidos, foram recuperados e muitos outros mais foram criados. Preocupados com a situação econômica chinesa, onde o investimento e a produção se faziam para o mundo inteiro, uma boa parte dos capitais disponíveis foi desviada para o Brasil, onde existia um mercado razoavelmente desenvolvido, um governo estável que conciliava capital e trabalho (o governo Lula – e todos podem ver agora como isso é importante para o capital com as revoluções do Egito e da Tunísia) e permitia que essa aplicação fosse rentável. Resultado: o pais cresceu, o desemprego cedeu vertiginosamente, os salários reais aumentaram. Mas, ao mesmo tempo, cresceu como nunca o lucro privado. E os aumentos salariais foram rapidamente corroídos pela inflação que mostra novamente a sua cara, pela desvalorização da moeda frente aos produtos. E como pode a moeda se desvalorizar com os juros nas alturas? – os juros do Brasil são os maiores do mundo!

Porque existe moeda “demais”. Em outras palavras, o fato de o Brasil ter sido o destinatário de bilhões e bilhões de dólares de investimentos levou a que o volume de moeda existente de fato seja muito maior que o “controle” que o Banco Central alega ter. Sim, a moeda é emitida pelo Banco Central, mas no mundo de moedas “virtuais” que são números em um terminal eletrônico de um Banco, a “alavancagem” de um só banco pode produzir mais moeda que o Banco Central, principalmente se este estiver segurando essa produção (por exemplo, emitindo títulos da dívida para “enxugar” o mercado quando entram dólares demais no país).

3. Juros e contas externas

Para se ter uma ideia melhor dessa situação, examinemos as contas exteriores do país. O déficit externo em transações correntes (importação e exportação, pagamento e recebimento de juros do exterior, remessa e recebimento de lucros, gastos de turistas no Brasil e no exterior) foi de 47 bilhões de dólares em 2010. Ou seja, nós tivemos um pequeno saldo comercial positivo, os turistas brasileiros gastaram no exterior 10 bilhões a mais que turistas estrangeiros no Brasil, tivemos uma remessa de lucros líquida para o exterior na faixa de 16 bilhões e algo em torno de 30 bilhões de juros e amortização da dívida externa. Mas, esse déficit foi coberto e tivemos uma conta líquida de 49 bilhões de dólares em 2010! Como isso é possível? Primeiro pelo investimento externo em torno de 48 bilhões e mais outro tanto para investir em juros e na bolsa de valores. Em outras palavras, os juros altos permitiram que o déficit externo fosse financiado, ao mesmo tempo que foram responsáveis por este déficit.

Expliquemos: Ao aumentar os juros, diminuímos o valor do dólar e com isso a conta “turismo” leva necessariamente ao negativo, já que mais brasileiros vão gastar lá fora (o dólar está barato) e menos estrangeiros vão gastar no Brasil (o real está caro). Isso beneficia, é claro, uma minoria que pode viajar para o exterior, enquanto a maioria que vive de salário mínimo, de menos que o salário mínimo (bolsa família) ou de pouco mais que o salário mínimo apenas ouve falar disso.

A segunda razão é que a remessa de lucros aumenta, já que aumentam os investimentos diretos no Brasil, ou seja, temos estrangeiros comprando empresas ou se associando com empresas brasileiras e, portanto, aumentando a remessa de lucros para o exterior. E, verdade, com os juros altos temos um aumento recorde de investimentos produtivos e também de capital especulativo que só vem se beneficiar dos altos juros. Por que os juros aumentam os investimentos produtivos? Porque torna mais barato procurar um “sócio” ou um empréstimo externo do que tomar dinheiro emprestado no Brasil para tocar o negócio. E ter um sócio estrangeiro ajuda na hora de arrumar empréstimo externo.

Assim, a conta de juros ajuda a aumentar o déficit e também o financia, tudo ao mesmo tempo. A questão é: quem paga a conta, quem paga os juros altos? O governo paga os juros, aos banqueiros, investidores e outros capitalistas concernidos, embora uma pequena parte esteja nas mãos de algum trabalhador mais bem remunerado. Mas, quem paga o governo? Simples, os impostos pagam! Ora, ora, dirão todos, então essa conta é sem graça, porque se os capitalistas pagam os impostos, são eles mesmos que recebem.

4. Impostos e a questão do salário

A questão não é tão simples: nem sempre os capitalistas que pagam são os que recebem. Frequentemente não são os mesmos e isso gera uma série de brigas entre eles que se traduz na discussão da Reforma Tributária. Mas quem paga mais impostos são os trabalhadores (o maior item dos impostos é de rendimentos sobre o trabalho assalariado) de forma direta e também de forma indireta ao consumir mais mercadorias. E, infelizmente, o PT aliou-se aos empresários, aos partidos burgueses para constituir o governo e agora seus projetos pioram a situação dos trabalhadores ao invés de melhorá-la.

Assim, o governo “desistiu”, segundo os noticiários, de uma reforma trabalhista e previdenciária. Mas toca pra frente a proposta de uma reforma que diminua o valor pago pelo empregador na folha de pagamento! Ou seja, menos impostos pagos pelos capitalistas – que se forem subsituídos por impostos sobre o faturamento vai resultar justamente o contrário da justiça social: diminui o imposto pago pelos capitalistas, que sai direto do seu lucro; e entra um imposto que é repassado aos consumidores – a grande maioria composta pelos trabalhadores!

E o que tem tudo isso a ver com o salário mínimo? – dirá o leitor atento que conseguiu chegar até aqui, já que de salário mínimo parece que este cara não tem muito a dizer. Ora, recapitulemos os argumentos que eles apresentam contra o reajuste do salário mínimo:

Aumenta os custos da empresa e leva à inflação – sim, aumenta os custos da empresa e, portanto, diminui o lucro, aumentando a participação do trabalhador na renda e na riqueza nacional. A inflação nada tem a ver com isso, é resultado da política econômica de juros, empréstimos, câmbio e investimentos, que determina o valor da moeda, uma mercadoria como outra qualquer.

Aumenta os gastos do governo, que aí não pode pagar os juros e, portanto, leva a um aumento inflacionário – sim, aumenta os gastos do governo e, portanto, diminui sua capacidade de pagar mais juros. Ou seja, diminui sua capacidade de transferir recursos públicos dos impostos – pagos majoritariamente pelos trabalhadores – para os capitalistas.

Quebra prefeituras – as prefeituras quebram porque os juros estão altos e todas elas estão penduradas em empréstimos com os governos estaduais e com o governo federal. Ou seja, depende dos juros e da vontade do governo saber se elas vão quebrar ou se ele vai refinanciar ou perdoar tal endividamento.

Quebra a Previdência Social – totalmente falso. Aumenta o salário, aumentam as contribuições de trabalhadores e a contribuição patronal, quase que no mesmo ritmo do aumento do salário e às vezes aumenta muito mais a contribuição do que os gastos. Além disso, a previdência é superavitária e só devido aos “demonstrativos de contas” fabricados e ao desvio de parte dos recursos e impostos destinados ao seu financiamento (DRU, Desvinculação das Receitas da União) para o pagamento de juros é que ela aparece como “deficitária”. Ou seja, novamente a questão: vamos pagar juros aos banqueiros ou vamos pagar o que se deve aos trabalhadores.
Sim, os capitalistas choram e dizem que o Capital não pode aguentar esse aumento de 30 reais. E o que dizemos nós, os socialistas? “Se vocês não podem pagar, porque não entregam logo tudo e deixam que apliquemos o socialismo?” Aliás, o que queremos os socialistas é que o salário mínimo chegue ao salário mínimo calculado pelo DIEESE, hoje algo em torno de 2.200 reais (ver Tabela do DIEESE), que é o salário previsto na Constituição, que possa prover o mínimo para a sobrevivência de uma família de dois adultos e duas crianças. E isso é possível? Multiplicar os salários por quatro?!

É engraçada essa pergunta. Multiplicar os ganhos dos parlamentares, as pensões de ex-governadores, os juros para os banqueiros, os gastos de turistas no exterior (mais que duplicaram no último ano) – tudo isso é possível. Ou seja, para os capitalistas, para os que ganham bem, tudo é possível. Para os pobres, salário mínimo do DIEESE é um sonho que nem entra na discussão do Congresso, nas reivindicações das centrais sindicais* e 30 reais a mais no salário mínimo é uma briga de foice no escuro. Para os ricos, tudo! Para os pobres, nada! O de cima sobe e o de baixo desce! É o lema dos capitalistas. Mas as massas na Tunísia e no Egito mostram que o tempo deles pode estar chegando ao fim!


* a CUT, em artigo do seu Secretário Geral, Quintino Severo, destaca alguns dos argumentos que apresentamos aqui, como o custo da dívida e os salários de parlamentares e sua relação com o salário mínimo. Também destaca que há uma mudança ente o governo Lula e Dilma. Mas, infelizmente, esquece a existência do salário mínimo constitucional calculado pelo DIEESE - http://www.cut.org.br/ponto-de-vista/artigos/4438/salario-minimo-de-r-580-entre-juros-e-juras

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Conselho Nacional de Saúde - Moção de Repúdio à MP-520

CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE


MOÇÃO DE REPÚDIO Nº 001, DE 27 DE JANEIRO DE 2011


O Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua Ducentésima Décima Sétima Reunião Ordinária, realizada nos dias 26 e 27 de janeiro de 2011, no uso de suas competências regimentais e atribuições conferidas pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, pela Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990 e pelo Decreto nº 5.839, de 11 de julho de 2006, e


considerando que a Medida Provisória nº 520 desvincula na prática os Hospitais Universitários das IFES, comprometendo a formação e qualificação dos profissionais de saúde que trabalham na saúde pública, produção do conhecimento na área de saúde;


considerando que fere o princípio constitucional de indissociabilidade entre ensino, pesquisa, extensão dado que os Hospitais Universitários são unidades acadêmicas;


considerando que estabelece outra relação de trabalho nessas unidades e aprofunda o processo de precarização e reforça o processo de terceirização;


considerando que não atende o Acórdão do TCU em relação a utilização de recursos do SUS de custeio para pagamento de pessoal;


considerando que esta Empresa irá operar na lógica de mercado e portanto, tendo por princípio tão somente o cumprimento de metas, o que é danoso ao processo de busca da qualidade nos serviços públicos de saúde;


considerando que a fonte de financiamento da empresa tem sua origem em recursos públicos do Tesouro Nacional onerando ainda mais o SUS;


considerando ainda que o instrumento utilizado – Medida Provisória – ignora os organismos da sociedade não permitindo o debate com os agentes que construíram e sustentam o SUS.


Decide por manifestar publicamente seu repúdio à Medida Provisória nº 520/2010.


Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua Ducentésima Décima Sétima Reunião Ordinária.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Todos convidados para reunião da Semana da Calourada

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSM convida os alunos interessados em participar da organização da recepção aos calouros para uma reunião na sexta-feira, dia 4, às 18h, na sede central do DCE.

A intenção do Diretório é que a construção dos espaços da Semana da Calourada seja realizada de maneira ampliada com os estudantes, propondo atividades para a receber os novos estudantes da UFSM. A Semana da Calourada é um espaço diferenciado de recepção, onde o DCE organiza atividades artísticas e debates, diferente do trote tradicional.

A Sede do DCE fica no prédio da Casa do Estudante Universitário I (CEU I), na Rua Professor Braga, centro de Santa Maria.

DCE seleciona bandas para a Semana da Calourada

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSM está selecionando bandas para apresentações durante a Semana da Calourada do DCE, evento promovido pelo Diretório para a recepção aos calouros da Universidade. A Semana da Calourada tem em sua programação uma série de atividades culturais e de debates e acontece na primeira semana letiva de cada semestre.

Em breve o DCE divulgará a programação e algumas novidades. As bandas interessadas podem mandar e-mail para avanteufsm@gmail.com com dados como nome e formação, além de músicas ou mesmo perfis em sites como o MySpace.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

ATO EM DEFESA DOS HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS

ATO EM DEFESA DOS HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS

03 DE FEVEREIRO 
AS 17H NA SALDANHA MARINHO

Contra a Privatização dos Hospitais Universitários
Pela Revogação da MP-520

A MP520 é uma medida provisória que cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, uma empresa estatal de direito privado criada para administrar os Hospitais Universitários Como ente privado  sua meta é o lucro. Isso , de imediato, significa um retrocesso às preconizações do SUS e traz conseqüências desfavoráveis à população, dentre elas, teríamos a situação das “duas portas”: uma dos convênios privados, onde o atendimento é rápido e outra porta do SUS, sucateada e demorada.

Há também a possibilidade de cobrança por consultas e procedimentos. Sem falar na proposta de contratação via CLT, com prazo máximo de dois anos, o que gera desconforto e insegurança para o povo com conseqüente rotatividade de funcionários, descontinuidade dos serviços e a presença de dois tipos de trabalhadores: os públicos e os privados (sem vínculo com o Estado e submetidos a metas de produtividade), ocasionando conflitos e freando as lutas. A falta de mão de obra acarretaria na exploração do trabalho de estagiários e residentes e a desvinculação do ensino, pesquisa e extensão dentro dos HUs, essa desvinculação tiraria dos estudantes um ótimo campo de estudo: ao terem de estabelecerem “contratos de gestão” com universidades, os hospitais poderiam estabelecer melhores contratos com universidades particulares, deixando os estudantes das universidades federais a “ver navios”.


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

MP 520: a Certidão de Óbito dos Hospitais Universitários e da Saúde Pública Estatal


Há dois séculos homens e mulheres que lutavam por um mundo que se estruturasse tendo como centro da organização Social a radical defesa da vida de todas as pessoas, perceberam que a luta pela superação das desigualdades socioeconômicas era insuficiente para preservar a saúde, manter a vida e propiciar o bem-estar coletivo. Para isso era necessário que, paralelamente, se instituísse uma rede de prestação de serviços, distribuída pelo território do Estado nacional, que propiciasse às pessoas o acesso universal e igualitário às ações e serviços destinados à promoção, proteção e recuperação da saúde. Os Sistemas de Saúde socializados, portanto, universais, implantados particularmente em países europeus do início do século passado até a década de 1970, constituíram-se na materialização da solução para essa percepção – a necessidade de instituir-se uma rede de prestação de serviços de saúde nacional e de acesso igualitário –, cujos defensores foram os movimentos sociais e o movimento sindical-operário

No Brasil em meio ao complexo processo de luta política que havia levado à queda do regime militar, à participação e pressão popular visando a democratização do país e à falência da política de saúde excludente implementada no período (1964-1984), determinaram pela primeira vez na história do país, o reconhecimento da saúde como direito social de toda a população através da criação do SUS( Sistema Único de Saúde).

O SUS é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo. Abrangendo do simples atendimento ambulatorial aos transplantes de órgãos, ele é o único a garantir acesso integral, universal, igualitário e completamente gratuito para a totalidade da população. Os avanços são incontestáveis, entretanto, problemas como falta de financiamento, lobby dos planos de saúde no congresso gestão deficiente e dependência de serviços privados podem enterrar a rede pública de saúde brasileira.
É inegável que em 8 anos de governo do PT muito se avançou em programas específicos de Saúde dentro do SUS, principalmente no que tange a promoção da saúde. Porém no que tange a financiamento da rede e principalmente na crise dos Hospitais Universitarios(HU’s) nada foi feito.

Na verdade até foram criadas “soluções” que ao invés de resolver o problema agravariam ainda mais, exemplo disso a PL 92/07 que cria as fundações estatais de direito privado. Que com forte oposição de setores sociais ligados a luta pela saúde pública o projeto foi barrado. Outra “solução”, essa muito mais esquizofrênica que a anterior, é a MP-520, criada no apagar das luzes do governo Lula, para ser mais exato no dia 31 de dezembro. Essa MP cria a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), uma estatal que administrará os Hospitais Universitários do país. A EBSERH será uma sociedade anônima de direito privado e patrimônio próprio que terá como atribuição a gestão dos hospitais federais do país, englobando execução de assistência, ensino e pesquisa na área da saúde.

O texto da MP informa que a empresa terá sede em Brasília (DF) e “poderá manter escritórios, representações, dependências e filiais em outras unidades da Federação”. Porém, até o momento  o MEC não soube informar quantos servidores formarão o quadro efetivo da EBSERH. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, já foi formado um grupo para determinar as necessidades funcionais da nova empresa, mas não há previsão de concurso enquanto a medida não for aprovada no Congresso Nacional.

De acordo com a medida provisória, em 180 dias a empresa terá autonomia para executar processos seletivos simplificados, ou seja, contratar profissionais por meio de prova de títulos (análise curricular) via CLT, pelo período máximo de dois anos. O objetivo é não provocar a carência súbita de profissionais nas instituições. Vale destacar que os profissionais contratados por concurso para atuar nos hospitais universitários e os servidores diretos da ESERH serão todos contratados por regime celetista. O texto ainda aponta que os novos servidores terão metas de desempenho, indicadores e prazos de execução a serem observados, acompanhados e avaliados periodicamente.

Caso essa MP seja aprovada, as consequências para todo o Sistema de saúde e consequentemente para toda a população será devastador. Entre os problemas trazidos pela MP-520, fica ressaltado que para:

Trabalhadores do SUS: a proposta de contratação via CLT (regime privado) é prejudicial por conta da precariedade e da instabilidade que isso acarreta ao trabalho em saúde. Longe de garantir qualidade, esse sistema permite alta rotatividade de funcionários, que é claramente prejudicial ao serviço e caro ao serviço público, já que há todo momento são necessários novos treinamentos.

Usuários do SUS: uma proposta que pode gerar leitos privados dentro de um hospital público é claramente prejudicial aos usuários do SUS, já que acarretaria ainda mais demora nos procedimentos que o hospital realiza. Teríamos a situação das “duas portas”: uma dos convênios privados, onde o atendimento é rápido e outra porta do SUS, sucateada e demorada. Há também a possibilidade de cobrança por consultas e procedimentos, como já acontece hoje nos hospitais de São Paulo geridos pelas Organizações Sociais (OS’s).

Estudantes da área da saúde: um prejuízo imediato seria, devido a falta de funcionários, um aumento da exploração dos estudantes e residentes da área. Isso hoje já ocorre e fruto disso foram duas greves de residentes nos últimos anos, que denunciavam jornadas de até 80 horas semanais. Além disso, a desvinculação tiraria dos estudantes um ótimo campo de estudo: ao terem de estabelecerem “contratos de gestão” com universidades, os hospitais poderiam estabelecer melhores contratos com universidades particulares, deixando os estudantes das universidades federais a “ver navios”.

Fica claro então que não existe solução milagrosa para a atual crise dos Hospitais Universitários. E que a MP-520 vem a sucatear ainda mais os Hu’s, bem como alavancar o processo de privatização da Saúde. Sendo assim, um atestado de Óbito para os Hospitais Universitários e para o Próprio Sistema Estatal de Saúde. Não devemos ficar calados, todos que lutam por uma Saúde pública, democrática e popular devem ir as ruas lutar:


  • PELA REVOGAÇÃO IMEDIATA E COMPLETA DA MP-520
  • CONTRA A CRIAÇÃO DA EBSERH;
  • POR CONCURSOS PÚBLICOS DE VERDADE SOB O REGIME DO ESTATUTO DO SERVIDOR PÚBLICO,
  • Contra a Privatização da Saúde
  • Por financiamento público da Saúde
  • Contra qualquer forma de terceirização dos serviços de saúde, ensino, pesquisa e extensão

sábado, 22 de janeiro de 2011

Creative Commons: decisão da ministra da Cultura provoca críticas e preocupações


 
by Marco Aurélio Weissheimer. do RS URGENTE



A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, comprou uma briga feia com os defensores do compartilhamento digital e do copyleft ao mandar retirar do site do Ministério da Cultura as licenças Creative Commons. O Creative Commons é uma organização não lucrativa que desenvolve, apoia e gerencia infraestrutura técnica e legal no sentido de incentivar a criatividade digital, o compartilhamento e a inovação. Criada em 2001 nos EUA, está presente em mais de 40 países. A organização coloca à disposição licenças que permitem a autores e criadores de conteúdos como músicos, cineastas, escritores, fotógrafos, blogueiros, jornalistas, entre outros, conceder alguns usos de seus trabalhos.
Diante da repercussão em torno da decisão, o Ministério da Cultura divulgou a seguinte nota na tarde de sexta-feira:
“A retirada da referência ao Creative Commons da página principal do Ministério da Cultura se deu porque a legislação brasileira permite a liberação de conteúdo. Não há necessidade do ministério dar destaque a uma iniciativa específica. Isso não impede que o Creative Commons ou outras formas de licenciamento sejam utilizados pelos interessados.”
A nota não aliviou as críticas e a preocupação com a continuidade da política iniciada na gestão de Gilberto Gil na Cultura. Durante a gestão de Gil, o Ministério da Cultura aderiu ao Creative Commons. Mais do que isso, Gil se tornou, em 2004, o primeiro compositor brasileiro a ceder direitos de uma canção à licença. O governo federal também passou a utilizar maciçamente as licenças. O Blog do Planalto, por exemplo, é licenciado dessa forma.
Em entrevista ao blog Fatos Etc, o sociólogo Sérgio Amadeu, ativista da inclusão digital e do software livre, criticou duramente a decisão. Para Amadeu, a ministra tomou uma atitude extremamente contraditória com a política do governo Dilma:
A Dilma mantém o Blog do Planalto, instalado, implementado pelo presidente Lula em Creative Commons, e que continua em Creative Commons. E ela, a ministra, fez um ato que é afrontar a política de compartilhamento iniciada no governo Lula e afrontar a própria Dilma, que disse exatamente que iria continuar a política iniciada na gestão do Gilberto Gil e do Lula. Então ela, além disso, cometeu uma ilegalidade, porque não poderia tirar as licenças do Creative Commons das matérias e postagens que já tinham sido publicadas em Creative Commons. Ela está mal assessorada e está fazendo uma ação de confronto com a política implementada pelo governo do presidente Lula.
Na realidade, nós vamos ter uma ministra do Ecad [Escritório Central de Arrecadação e Distribuição] e não uma ministra da Cultura. Ela veio para retroceder todo o avanço que havia sido conseguido no compartilhamento de cultura, na ampliação da cultura, na superação da visão de que cultura é apenas mercado. É basicamente isso.